A Viver Santarém abriu os procedimentos para a atribuição do direito de exploração de 16 lojas do Mercado Municipal de Santarém, distribuídas por conceitos de negócio que vão da restauração e gastronomia ao comércio tradicional e serviços.

A operação representa uma nova etapa no processo de ocupação e dinamização do mercado, que reabriu ao público a 19 de Março de 2025, depois de seis anos encerrado para uma profunda intervenção de requalificação. A empresa municipal pretende agora atrair novos operadores e projectos capazes de reforçar a oferta do equipamento e aumentar a sua atractividade, mantendo a ligação ao comércio de proximidade e aos produtos tradicionais.

A maior fatia dos espaços agora colocados a concurso destina-se à restauração e alimentação. As lojas 4 e 5 estão reservadas para uma Cervejaria do Mercado; a loja 6 para Sabores Regionais; as lojas 7 e 8 para uma hamburgueria/pregaria; a loja 9 para sushi e massas; e a loja 12 para pizzaria.

Nas lojas 13 e 14 está prevista uma cafetaria/pastelaria, enquanto as lojas 16 e 17 são destinadas a um conceito de gastronomia regional contemporânea. A loja 19 deverá receber um estabelecimento gourmet e de produtos biológicos e as lojas 33 e 34 ficam reservadas a restauração de inspiração nacional ou internacional.

A oferta alimentar completa-se com as lojas 24 e 25, destinadas a talho tradicional; 27, para peixe e marisco congelado; 36 e 37, para um “Mercado da Carne”; e 38 e 39, destinadas a padaria artesanal.

O concurso abrange ainda actividades fora da restauração. A loja 23 está destinada a cutelaria e marcenaria, a loja 26 a serviços de calçado e chaves e a loja 32 a florista.

Segundo a Viver Santarém, o objectivo passa por captar operadores e projectos que contribuam para a “renovação, dinamização e valorização” do Mercado Municipal, reforçando simultaneamente a identidade e a capacidade de atracção daquele espaço do centro histórico.

A documentação relativa a cada procedimento pré-contratual, onde constam as regras e condições de participação, pode ser consultada na sede da Viver Santarém, no Complexo Aquático Municipal, ou no próprio Mercado Municipal. Está igualmente disponível através da página electrónica da empresa municipal e pode ser solicitada pelo endereço mercado@viversantarem.pt.

Uma nova vida depois de seis anos de obras

A actual fase surge cerca de ano e meio depois da reabertura do Mercado Municipal, concretizada a 19 de Março de 2025, feriado municipal de Santarém. Nessa altura entraram em funcionamento cerca de 25 bancas, correspondentes a 75 por cento dos lugares disponíveis, ocupadas sobretudo por vendedores de produtos hortofrutícolas, pescado e outros produtos locais.

O regresso pôs termo a um dos processos de obras públicas mais prolongados dos últimos anos na cidade. O mercado tinha encerrado em Agosto de 2019 para uma intervenção inicialmente adjudicada por cerca de dois milhões de euros e com um prazo previsto de um ano. Durante os trabalhos foram detectados problemas estruturais, incluindo a ausência de fundações em parte do edifício, obrigando à suspensão da empreitada e à realização de trabalhos adicionais. A insolvência, em 2022, da Habitâmega, empresa responsável pela obra, constituiu outro dos contratempos, tendo a conclusão sido posteriormente assegurada pela Construções Pragosa.

A conta final da requalificação, aprovada pela Câmara de Santarém em Novembro de 2025, ascendeu a 3,235 milhões de euros, já com IVA, cerca de um milhão de euros acima do valor inicialmente previsto.

Também o modelo de exploração do equipamento sofreu alterações durante esse percurso. A Câmara chegou a lançar um concurso para entregar a gestão do mercado a privados, abrangendo lojas, bancas e áreas destinadas a esplanadas, mas o procedimento ficou deserto. A gestão acabou por ser entregue à empresa municipal Viver Santarém, através de um contrato-programa com o Município.

No final de 2025, 26 dos 36 módulos disponíveis encontravam-se ocupados por operadores económicos. A Viver Santarém assumiu então que a consolidação do mercado seria um processo gradual, apontando como objectivo transformar o equipamento num pólo de actividade económica e de vivência social e contribuir para a revitalização do centro urbano.

O lançamento dos concursos para as lojas procura agora avançar para essa fase seguinte, alargando a actividade para além do mercado diário e incorporando restauração, gastronomia, comércio especializado e serviços, numa fórmula que já fazia parte do conceito definido para a requalificação do edifício. O projecto previa, desde a origem, que o comércio de proximidade e os produtos locais convivessem com espaços capazes de prolongar a permanência de quem visita o mercado.

Um edifício com quase um século

Projectado pelo arquitecto Cassiano Branco em 1927/28 e construído em 1930, o Mercado Municipal é um dos edifícios mais reconhecíveis do centro histórico de Santarém. A construção teve início em Março de 1930 e ficou concluída em Outubro do mesmo ano.

O imóvel distingue-se particularmente pelo conjunto de painéis de azulejos que revestem as fachadas e representam paisagens, monumentos e cenas da vida ribatejana. O edifício, classificado como Imóvel de Interesse Público, constitui há décadas uma das referências patrimoniais e comerciais da cidade.

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