O vereador da Câmara Municipal de Santarém, Nuno Domingos, defendeu a necessidade de o Círculo Cultural Scalabitano (CCS) apostar na renovação geracional, na formação artística e na criação cultural para assegurar a sua continuidade nas próximas décadas. A reflexão foi apresentada no sábado, 7 de Novembro, no Teatro Taborda, durante a sessão comemorativa do 72.º aniversário da instituição.
Na comunicação intitulada “O Círculo Cultural Scalabitano – Uma Instituição entre a Memória e o Futuro”, Nuno Domingos traçou uma perspectiva para o desenvolvimento da associação até 2036 e 2046, sublinhando que a preservação da história e do património cultural deve ser acompanhada por uma estratégia capaz de atrair novas gerações e reforçar a ligação da instituição à cidade.
“Uma instituição com mais de sete décadas de história não pode limitar-se a conservar a sua existência. Tem de renovar permanentemente as razões pelas quais a sua existência é importante”, afirmou.
Para o vereador, a renovação geracional deverá constituir uma das principais prioridades do Círculo na próxima década. Mais do que atrair crianças e jovens para as actividades artísticas, importa criar condições para que possam participar na vida associativa e assumir responsabilidades na organização.
A formação artística foi apontada como outro eixo estratégico, com particular incidência nas áreas da dança e do teatro. Nuno Domingos defendeu que o CCS poderá aprofundar a sua dimensão de escola cultural da cidade, articulando o ensino com a experimentação, a criação e a apresentação pública de projectos artísticos.
Neste contexto, recuperou a proposta de transformação do Teatro Rosa Damasceno num Centro de Artes de Palco, estruturado em três dimensões — ensino, criação e produção artística —, considerando que este projecto poderá abrir novas possibilidades de cooperação entre o Círculo, escolas, companhias profissionais e outros agentes culturais.
Destacou igualmente a importância da parceria com a Escola Dr. Ginestal Machado, nomeadamente através dos seus cursos artísticos, e a possibilidade de desenvolver residências artísticas, oficinas e projectos interdisciplinares.
Outra das propostas apresentadas passou pela valorização do património documental da instituição, através de uma estratégia que designou “Do Arquivo à Criação”. O objectivo será transformar fotografias, documentos, programas e testemunhos históricos em recursos para exposições, publicações, investigação e novas produções artísticas.
Nuno Domingos considerou, contudo, que esta transformação não poderá depender exclusivamente das políticas culturais municipais, defendendo que a iniciativa deve partir da própria associação, sem prejuízo de uma maior articulação com os equipamentos e agentes culturais de Santarém.
“Porque a melhor maneira de respeitar uma instituição histórica não é impedir que ela mude. É garantir que ela continua a ter futuro”, concluiu.
A intervenção integrou a Assembleia de Investigadores n.º 245, organizada conjuntamente pelo Círculo Cultural Scalabitano e pelo Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. A sessão comemorativa incluiu ainda uma conferência de Miguel Corrêa Monteiro, presidente da Academia Portuguesa da História, dedicada ao futuro da instituição.

