A organização do Festival Bons Sons, em Tomar, esclareceu ontem que o concerto na Igreja de S. Sebastião foi um espectáculo intimista autorizado pela paróquia e atribuiu a polémica a pessoas com uma visão demasiado conservadora.

O envolvimento da Igreja no Festival Bons Sons, na aldeia com o mesmo nome, “é e sempre foi público e os concertos são realizados com a autorização das entidades competentes”, esclareceu hoje a organização do evento na sequência da polémica em torno de um concerto realizado na Igreja de S. Sebastião.

Na base da polémica está um excerto do concerto de Afonso Dorido na Igreja de S. Sebastião, um dos palcos do Festival Bons Sons, que decorreu na aldeia de Cem Soldos, distrito de Santarém, entre os dias 09 e 12 de Agosto.

Um vídeo do final da actuação (realizada no dia 11) partilhado nas redes sociais do músico foi na última semana publicado num blogue religioso, originando críticas sobre a utilização do templo para o espectáculo.

A Diocese de Santarém reagiu  nas redes sociais à polémica, afirmando que “os serviços da Cúria Diocesana não tiveram conhecimento prévio” de que o templo iria ser usado no festival e considerou que no espectáculo “não foram observadas as normas da Santa Sé sobre os concertos nas igrejas”.

Num comunicado a, a organização do festival destacou: “Ninguém consegue imaginar que faríamos oito concertos anuais, há dez anos, à revelia das pessoas e das entidades competentes”.

No mesmo documento é garantido que “todos os agentes locais da Igreja têm conhecimento e dão autorização para a realização dos concertos”, frisando que “a comunidade não se sente ofendida com esta situação”.

Esta “indignação surge de pessoas que não conhecem Cem Soldos, nem o Bons Sons e teve apenas como base um vídeo de um minuto que não representa o concerto, muito menos o projecto”, sustenta a organização no comunicado, atribuindo a polémica a “pessoas ultra-conservadoras que têm uma visão muito fechada da Igreja Católica, que não vai ao encontro da visão e da harmonia promovidas” pelo festival.

O vídeo que originou o manifesto “não é de um concerto de rock”, mas sim, segundo a organização, “de um concerto intimista, com voz e guitarra, dedicado ao interior do país, às suas paisagens e aos problemas de desertificação”.

O excerto difundido “retrata apenas o final mais efusivo e feliz do concerto”, ressalvam os organizadores, sublinhando as reacções “de pleno agrado” recebidas em relação à parceria com o artista que “tem uma relação de proximidade com a aldeia, tendo já gravado um vídeo em Cem Soldos e feito uma música sobre Tomar”.

No comunicado, os organizadores lembram que o Bons Sons é um festival “que promove e activa a comunidade”, envolvendo todos os habitantes da aldeia e todas as instituições locais.

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