O presidente da Junta de Freguesia de São Vicente do Paul, em Santarém, alertou hoje para o impacto social e económico da interdição da Ponte da Panela, afirmando que a população se sente “isolada” e “sem respostas”.

Em declarações à Lusa, Nuno Carriço sublinhou a importância da Ponte da Panela, encerrada ao trânsito, classificando‑a como um “ponto de ligação fundamental” entre várias freguesias e concelhos, utilizado diariamente por agricultores, empresas e população em geral.

“Aquilo que está em causa é um desvio de 15 quilómetros, o que representa um transtorno enorme para quem trabalha, para quem tem comércio ou serviços em freguesias vizinhas”, afirmou.

Segundo o autarca, a ponte, com mais de 20 anos, encontrava-se já em mau estado, situação que se agravou com os recentes episódios de mau tempo, levando à colocação de extensores e à interdição total à circulação, por razões de segurança.

“É um transtorno enorme para a população. Há pessoas que deixaram de se deslocar regularmente a Valada para visitar familiares ou participar em atividades sociais, porque o desvio é demasiado grande”, referiu, acrescentando que o investimento necessário para a requalificação da Ponte da Panela poderá situar-se entre os 400 mil e os 500 mil euros.

Nuno Carriço disse ainda que não existe, até ao momento, um compromisso formal ou calendário para a requalificação da infraestrutura, apesar de já ter sido lançado um concurso público no passado, que ficou deserto.

“Todos os dias tenho pessoas a pedir respostas e eu não as tenho para lhes dar. Conheço bem as dificuldades de quem aqui vive e isso custa-me muito”, afirmou, acrescentando sentir-se “impotente” perante a situação.

Segundo o autarca, o encerramento da ponte afeta também equipamentos sociais, como o Centro de Bem‑Estar de Vale de Figueira, frequentado por utentes de São Vicente do Paul, obrigando a deslocações “muito mais longas”.

O autarca alertou ainda para o mau estado da EN 365-4, que liga São Vicente do Paul a Pombalinho, descrevendo a via como estando “muito degradada”, sem manutenção estrutural há mais de 30 anos.

A Junta tem realizado pequenas intervenções, nomeadamente a colocação de algumas toneladas de alcatrão para tapar buracos de maior dimensão, mas Nuno Carriço reconheceu que se trata apenas de “soluções temporárias”, insuficientes para garantir segurança e durabilidade.

Segundo o responsável, o tráfego nesta estrada aumentou significativamente durante os períodos de cheias, quando outras vias ficaram interditadas, expondo ainda mais as fragilidades da infraestrutura e aumentando os riscos para a segurança rodoviária.

O autarca advertiu, por outro lado, para as consequências económicas da falta de acessibilidades, sobretudo nos setores da agricultura e da construção civil, numa altura em que se aproxima a época das colheitas.

“Os agricultores e empresários vão ter de percorrer mais dezenas de quilómetros, aumentando custos e desgaste dos equipamentos. Isso acaba por afastar investimento e tornar a região menos competitiva”, disse.

Nuno Carriço referiu também que se encontra ainda por concluir a obra de ligação entre Casais do Louco e Valada, intervencionada de forma urgente após episódios de cheias, estando a empreitada executada em cerca de 70%, faltando verbas para a sua conclusão total.

“Foi possível garantir a transitabilidade, mas ainda faltam trabalhos, nomeadamente o alargamento de pequenas pontes. Precisamos de apoio financeiro para concluir a obra”, concluiu.

Na Assembleia Municipal de 30 de abril, o presidente da Câmara de Santarém, João Leite, afirmou que a requalificação da Ponte da Panela é uma “grande preocupação” do executivo, estando a autarquia a articular uma solução com as Infraestruturas de Portugal (IP).

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