A Portugal Nuts realizou no dia 3 de novembro em Almeirim, no Espaço Multiusos – IVV, o V Balanço de Campanha Frutos Secos 2026. O encontro constituiu um momento de reflexão estratégica sobre a campanha dos frutos secos em Portugal, onde especialistas e entidades de referência partilharam conhecimento, experiências e novidades.
À semelhança das edições anteriores, o evento teve como objetivo promover o desenvolvimento sustentável das culturas da amêndoa, noz e pistácio, bem como reforçar a fileira dos frutos secos em Portugal, tendo reunido associados, produtores, processadores, parceiros e patrocinadores.
O programa arrancou com as apresentações, em campo e no auditório, das empresas parceiras da Portugal Nuts, e prosseguiu durante a tarde com a análise ao estado do setor, do presente ao futuro, ao mercado e às tendências de consumo. Ocorreu ainda uma análise, em direto, da realidade produtiva e comercial dos frutos secos em Portugal, num debate aberto aos participantes.
Entre os momentos de destaque estiveram a apresentação “Frutos Secos 2030: de onde vimos, para onde crescemos”, uma atualização do estudo de caracterização do setor dos frutos secos em Portugal, a cargo de Pompeu Dias, da CONSULAI. Destaque também para a intervenção de Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, sobre a importância do setor agroalimentar, as dinâmicas de mercado, o comércio internacional e as tendências de consumo, e para a apresentação da previsão de produção de amêndoa da Demeter, conduzida por Hugh Macfarlane, considerada a primeira estimativa da campanha nacional.
Por último, decorreu a apresentação dos dados do Balanço de Campanha de Amêndoa e Noz 2026, conduzida por Nuno Russo, diretor executivo da Portugal Nuts. A campanha de amêndoa em miolo registou uma produção de mais de dez mil toneladas, representando um aumento de 70% relativamente ao ano de 2025. Na produção com casca registaram-se mais de 25 mil toneladas, o que significa um aumento superior a 84% comparativamente à campanha anterior.
“Em termos de produtividade registou-se 803 quilos por hectare em 2025. Em 2026 temos 1363 quilos por hectare. Portanto, os associados da Portugal Nuts têm uma produtividade com os dados relativos à campanha de 2026 superior àquilo que é a média do INE nos últimos anos”, destacou Nuno Russo.
O responsável sublinhou também o potencial de crescimento dos pomares dos associados nos próximos anos.
“Estamos, no que toca à representação dos nossos associados, com um pomar muito jovem. 70% da área dos associados da Portugal Nuts tem cinco anos ou menos. Isto indica que nos próximos cinco, dez anos, vamos aumentar a produtividade e consequentemente a produção. Para nós é algo muito interessante na defesa do setor e o potencial que este tem comparativamente com outros setores agrícolas”, salientou.
Em termos de área de concentração, a produção encontra-se maioritariamente na zona do Alentejo, com destaque para os distritos de Beja e Évora, que em conjunto representam 74% da área produtiva.
Relativamente à campanha da noz, registou-se uma produção de duas mil toneladas, o que significa um aumento de 50% em relação a 2025. Em 2026, a produtividade com casca atingiu os 3456 quilos por hectare, cuja área se concentra maioritariamente nos distritos de Évora e Santarém.
O encontro incluiu ainda a entrega dos prémios do 15.º Concurso Nacional de Frutos Secos Tradicionais Portugueses. A Quinta Vale do Tourão, de Figueira de Castelo Rodrigo, conquistou a medalha de prata com uma amêndoa caramelizada com canela, enquanto a medalha de ouro foi atribuída a uma amêndoa com canela e coco da autoria da Veracruz Industries, de Castelo Branco.
Na sessão de encerramento, Nuno Russo evidenciou a importância do evento para avaliar o desempenho da campanha e refletir sobre os desafios e as oportunidades que marcaram o desenvolvimento do setor nos próximos anos.
“O setor dos frutos secos continua a afirmar-se como uma das áreas mais dinâmicas da agricultura portuguesa. Estamos perante uma fileira cada vez mais robusta, profissional e preparada para competir num contexto internacional exigente”, afirmou o responsável, alertando para a necessidade de existirem melhores condições para investir, transformar e competir.
“Acreditamos que soluções assentes nos princípios da neutralidade fiscal e da coerência jurídica contribuirão para reforçar a competitividade da cadeia de valores e para promover a maior incorporação do produto nacional”, concluiu Nuno Russo, defendendo ainda a gestão eficiente da água, a valorização nutricional dos produtos e a criação de infraestruturas experimentais como “prioridades fundamentais para aumentar a produtividade, reduzir os riscos e responder aos desafios das alterações climáticas”.
A iniciativa foi organizada pela Portugal Nuts, em coorganização com o Centro Nacional de Competências de Frutos Secos (CNCFS), o Centro Operacional e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) e a Associação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP).



