Ao assinalar 65 anos de existência, a Casa do Benfica de Santarém reafirma-se como um dos pilares do associativismo desportivo e benfiquista na cidade. Em entrevista ao Correio do Ribatejo, o presidente da instituição, Luís Santos, traça um retrato vivo da evolução da CBS, destacando a resiliência das suas sucessivas direcções, a relevância histórica de modalidades como o judo e o papel da Casa na formação de gerações de atletas escalabitanos. A implementação do modelo “Casa Benfica 2.0” trouxe novas valências – como a loja oficial, a barbearia Benfica ou a cafetaria “Mística” – que reforçam a ligação ao clube da Luz e à comunidade local. Com actividades em expansão, como o andebol, o tiro ao alvo e o campismo, e parcerias activas com associações da região, a Casa aposta também numa vertente social mais visível e num renovado esforço de atracção de novos sócios, sobretudo entre os jovens. Luís Santos assume a ambição de fazer da CBS uma referência ainda mais sólida no panorama associativo de Santarém e deixa o repto: “a Casa é de todos os escalabitanos e está aberta a quem quiser fazer parte da nossa família benfiquista”.
A Casa do Benfica de Santarém assinala 65 anos de existência. Que significado pessoal e institucional atribui a esta efeméride?
É com enorme alegria e um sentimento de profunda satisfação que celebramos esta efeméride dos 65 anos. Para mim, pessoalmente, representa a prova de que a Casa do Benfica de Santarém (CBS) continua viva, activa e em crescimento, apesar de todas as dificuldades atravessadas ao longo das décadas. Institucionalmente, é também um momento de homenagem a todos os dirigentes que, com dedicação e empenho, souberam dar continuidade a este projecto de referência para a cidade e para o benfiquismo.
Ao longo destas seis décadas e meia, que marcos históricos considera terem sido determinantes para o crescimento e afirmação da Casa na cidade?
Destaco, em primeiro lugar, a afirmação do judo como modalidade estruturante da nossa Casa, com um papel decisivo na formação de várias gerações de atletas. A comemoração dos 50 anos desta modalidade foi particularmente simbólica, marcada pela ligação ao nosso ex-atleta olímpico Nuno Delgado, cuja carreira continua a inspirar-nos.
Importa recordar também as outras modalidades que ao longo destes 65 anos projectaram a CBS: os memoráveis saraus de ginástica, os feitos da natação e tantas outras actividades que, para muitos escalabitanos, foram o início de uma vivência desportiva estruturante. É gratificante ouvir, hoje, pessoas da cidade que reconhecem na CBS um papel fundamental na sua formação pessoal e desportiva.
Que balanço faz do percurso da Casa Benfica 2.0 desde a sua implementação em Santarém? Este modelo cumpriu os objectivos a que se propunha?
O balanço é claramente positivo. Conseguimos oferecer aos benfiquistas da cidade um espaço de convívio, onde podem assistir aos jogos e sentir-se verdadeiramente em casa. O projecto “Benfica Activo” tem proporcionado momentos de grande alegria a crianças e famílias, com excelentes resultados.
Contamos ainda com uma loja oficial do Benfica, que permite acesso a produtos e novidades do clube sem sair de Santarém. Uma das mais recentes valências é a Barbearia Benfica, dinamizada pelo nosso estimado ex-atleta Artur Morais, que tem sabido oferecer uma nova imagem e serviço à comunidade local. A cafetaria “Mística”, com nova gestão, promete reforçar ainda mais esta dinâmica.
Todos estes elementos comprovam que a Casa Benfica 2.0 está a cumprir os objectivos traçados. Ainda assim, queremos continuar a crescer e a oferecer mais aos escalabitanos, sempre com o espírito de abertura que nos define: esta Casa é para todos.
Actualmente, que modalidades e actividades são desenvolvidas na Casa e como têm evoluído os níveis de participação e adesão dos sócios?
Neste momento, temos em actividade as modalidades de judo e tiro ao alvo. Através do “Benfica Activo”, temos também uma parceria no andebol, que estamos a desenvolver gradualmente.
As novas instalações vieram permitir uma evolução assinalável, com mais atletas e melhores condições para treinos e provas. A carreira de tiro foi, inclusive, considerada por diversas entidades como uma das melhores a nível nacional, o que muito nos honra. Deixo aqui uma palavra de reconhecimento ao nosso responsável de secção, Alexandre, pelo trabalho exemplar.
Acresce ainda a nossa secção de campismo, pouco conhecida do grande público, mas muito activa. Recentemente, celebrámos 50 anos de filiação na Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, o que constitui mais um marco importante no eclectismo da CBS.
A vertente social tem sido uma aposta? Que projectos ou parcerias têm contribuído para reforçar a ligação à comunidade local?
Sim, a vertente social tem sido uma prioridade. Temos desenvolvido parcerias com outras associações, como é o caso da secção de Teqball dos Caixeiros, que utiliza as nossas instalações para treinos regulares.
Mantemos colaborações com a Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES), procurando contribuir para a dinamização do comércio local. Recentemente promovemos uma acção de recolha de sangue em parceria com o Grupo de Dadores de Pernes, iniciativa que pretendemos repetir em breve.
Acreditamos que estas ligações reforçam a visibilidade da Casa e nos permitem receber, em troca, o apoio da comunidade.
O número de sócios tem vindo a crescer ou estabilizou? Que estratégias têm sido adoptadas para atrair novos associados, sobretudo entre os mais jovens?
O crescimento tem sido moderado e abaixo do que desejaríamos, mas tem havido progresso. Procuramos, através das actividades e das parcerias que desenvolvemos, criar motivos concretos para que mais pessoas se associem à CBS.
Sabemos que, nos tempos actuais, o associativismo enfrenta muitos desafios e que a fidelização de sócios é uma tarefa exigente. Ainda assim, toda a equipa directiva está empenhada em apresentar propostas novas e aliciantes, com o objectivo de captar novos públicos, especialmente entre os mais jovens.
Como avalia a relação da Casa com a estrutura central do Sport Lisboa e Benfica? Há cooperação activa e presença do clube nas dinâmicas locais?
A relação com o Sport Lisboa e Benfica tem sido positiva e de cooperação. Sempre que necessitámos, o clube responde e está presente nas nossas iniciativas.
Contamos regularmente com a presença de dirigentes e figuras do universo benfiquista nos nossos eventos. O Benfica promove também as nossas actividades e temos vindo a alinhar novas dinâmicas para uma intervenção ainda mais assídua no contexto da Casa Benfica 2.0.
Que ambições tem para o futuro da Casa do Benfica de Santarém e que mensagem gostaria de deixar às actuais e futuras gerações de benfiquistas da região?
As nossas ambições passam por continuar a formar atletas e pessoas, reforçar a nossa acção na comunidade e concretizar novos projectos na área das modalidades desportivas. Desejamos continuar a crescer em número de associados e manter o nosso papel como referência do benfiquismo em Santarém.
O meu apelo é para que todos os benfiquistas da região se aproximem da Casa do Benfica de Santarém e usufruam das nossas valências. Aos jovens, lanço o desafio de conhecerem as modalidades que oferecemos, onde se formam campeões e onde reina o espírito de família.
A Casa do Benfica de Santarém é uma casa de todos. É aqui que se vive o verdadeiro benfiquismo. Viva o Benfica e Viva a Casa do Benfica de Santarém!
Filipe Mendes


