Pedro Dantas dos Reis descobriu a fotografia no final da adolescência e nunca mais a abandonou. Estudou Fotografia na Ar.Co e aprofundou a formação junto de fotógrafos como Greg Gorman, Arthur Meyerson e Joyce Tenneson. Ao longo do percurso coordenou projectos que trouxeram pela primeira vez a Portugal nomes como Steve McCurry e David Alan Harvey, ao mesmo tempo que desenvolveu trabalho autoral marcado pela procura do tempo, do silêncio e da materialidade da imagem, recorrendo, entre outros processos, à câmara pinhole. É co-fundador, produtor e programador do ANALÓGICA – Festival de Fotografia, que regressa à Chamusca nos dias 10 e 11 de Outubro para a quinta edição. Num tempo dominado pela rapidez e abundância da imagem digital, o festival propõe outra relação com a fotografia: mais lenta, física e experimental.
O ANALÓGICA chega à quinta edição num tempo em que praticamente todos transportamos uma câmara no bolso e produzimos imagens a um ritmo sem precedentes. O que continua a justificar a aposta na fotografia analógica?
A fotografia analógica obriga-nos a olhar para a fotografia de outra forma. Há um tempo, um processo e uma materialidade que são diferentes da fotografia digital. Mas o ANALÓGICA não pretende ser contra o digital. Queremos criar um espaço para quem gosta de fotografia, independentemente da experiência que tenha, onde seja possível experimentar, aprender, mostrar trabalhos e conhecer outras pessoas ligadas à fotografia.
Esta edição dedica particular atenção à passagem da imagem ao livro. Porquê esta escolha?
O livro é uma forma muito interessante de dar continuidade a um trabalho fotográfico. Permite organizar imagens, construir uma narrativa e criar um objecto que permanece. Este ano quisemos explorar precisamente essa relação entre fotografia e publicação, mostrando diferentes formas de transformar um conjunto de imagens num projecto e num objecto. A exposição de Alexandre de Magalhães e as conversas sobre o fotolivro fazem parte dessa vontade de aproximar o público deste processo.
O programa inclui oficinas, processos históricos, revelação com plantas, mercado de publicações e apresentação de trabalhos de autores. Há uma preocupação em chegar também a quem não tem conhecimentos de fotografia?
Sim, essa é uma das preocupações principais do ANALÓGICA. Queremos que qualquer pessoa possa participar, mesmo sem conhecimentos de fotografia. As oficinas e actividades são pensadas também como uma oportunidade para experimentar e descobrir. Gostávamos que quem visitasse o festival saísse de lá com vontade de fazer fotografias, aprender mais ou simplesmente com uma nova curiosidade sobre a fotografia analógica.
Desde 2021, o festival apresentou trabalhos de mais de 60 artistas. Que balanço fazem deste percurso e da relação criada com a Chamusca?
Tem sido um percurso muito positivo e de crescimento. Ao longo das cinco edições fomos conhecendo muitos fotógrafos, autores e pequenos projectos ligados à fotografia, mas também fomos criando uma relação cada vez maior com a Chamusca. Para nós é importante mostrar que também é possível criar e apresentar projectos de fotografia fora dos grandes centros urbanos. O festival procura trazer pessoas e projectos à Chamusca, mas também dar espaço a quem está aqui para participar e mostrar o seu trabalho.
Que ambição têm agora para o futuro do ANALÓGICA?
Queremos continuar a crescer sem perder aquilo que torna o ANALÓGICA especial: ser um encontro próximo, acessível e aberto a diferentes pessoas e formas de trabalhar a fotografia. Gostávamos de continuar a receber mais autores, pequenos negócios e projectos, chegar a novos públicos e explorar outras dimensões da fotografia analógica. Acima de tudo, queremos que o ANALÓGICA continue a ser um lugar onde se pode mostrar, aprender, experimentar e conversar sobre fotografia.
