Os Grupos Infantil e Académico de Santarém promoveram este sábado, 13 de Janeiro, uma Romagem de Saudade à campa rasa de Celestino Graça, no Cemitério dos Capuchos, em Santarém, e uma Sessão de Homenagem no Centro Etnográfico “Celestino Graça”, sede dos Grupos, no Campo Infante da Câmara, para assinalarem 110 Anos (a 9 de Janeiro) sobre a data de nascimento de Celestino Graça, “um Homem de excelsas qualidades que, como, em luminosa síntese, sublinhou o saudoso Amigo António Cacho, “Disse Não à mediocridade e superou os seus próprios defeitos””, referiu Ludgero Mendes, director dos Grupos.

“Transmitir os valores que lhe estão associados” foi um dos objectivos da sessão evocativa, bastante participada, no decorrer da qual, o director dos Grupos percorreu a vida e obra de Celestino Graça, do nascimento à morte, destacando a sua empenhada acção na fundação da “Briosa” Associação Académica de Santarém (1931), a criação da Feira do Ribatejo, em 1954, “certame regional de que Celestino Graça foi o principal obreiro e dinamizador à frente de uma plêiade de notáveis ribatejanos – entre os quais se destacaram os saudosos Dr. Luís Hilário Barreiros Nunes, presidente da Comissão Executiva durante os primeiros anos, Caetano Marques dos Santos, António Ferreira Madeira Cacho, João Gomes Moreira, José Júlio Rosa Eloy, Luís Carlos da Silva, Joaquim Peralta Fernandes, Joaquim Ferreira Campos e Dr. Carlos Augusto de Castro,  entre outros”, referiu Ludgero Mendes.

Foi ainda recordada a edificação da Praça de Toiros de Santarém, a realização do Festival Internacional de Folclore de Santarém, e a fundação do CIOFF – Conseil International des Organizateurs de Festivals de Folklore, em 1970, bem como a constituição de diversos ranchos folclóricos no Ribatejo, para além dos que ele próprio fundou – o Rancho Folclórico dos Pescadores do Tejo, nas aldeias avieiras de Faias e Cucos (Benfica do Ribatejo), o Rancho Folclórico do Bairro de Santarém (Graínho e Fontaínhas), e os Grupos Infantil de Dança Regional e Académico de Danças Ribatejanas, de Santarém, estes últimos que dirigiu até à data da sua morte.

Desde muito cedo ficou claro o espírito empreendedor de Celestino Graça, logo aos 17 anos, tendo sido um dos fundadores da Associação Académica de Santarém, ou na organização, aos 22 anos, da 1.ª Feira Exposição Distrital de Santarém, segundo Ludgero Mendes, “a maior e a melhor feira de Santarém de sempre”.

Foi ainda referida a faceta de Graça enquanto Regente Agrícola, tendo sido um dos mais conceituados técnicos da sua geração, tendo prestado serviço na X Brigada Técnica Agrícola onde, entre outras atribuições, foi responsável pelos cursos de podadores de olival e de tractoristas e pela introdução da cultura do cânhamo em Portugal, sendo autor do livro “A Cultura do Cânhamo”, publicado em 1945, pela Livraria Sá da Costa.

“Celestino Graça foi capaz de congregar em seu torno vontades e pessoas para desenvolver a nossa terra. Foi um vanguardista no seu tempo, Homem de vistas largas, que, no entanto, continua a ser ignorado por muitos que o consideram retrógrado, apenas pelo facto de defender as nossas tradições culturais e de haver feito obra durante o regime deposto pelo 25 de Abril, acusando-o, injustamente, de conivência com o Estado Novo, com o qual, bem ao invés, não se identificava e nunca serviu”, sublinhou Ludgero Mendes.

Este sábado, os Grupos Infantil e Académico de Santarém voltaram a recordar o seu fundador: “um homem construtor, agregador que continua presente no nosso coração e na nossa grata memória,” concluiu Ludgero Mendes.

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