Aos 45 anos, o Festival Nacional de Gastronomia procura recuperar o ambiente das antigas tabernas e conquistar novos públicos. Em entrevista ao Correio do Ribatejo, Emanuel Campos, vice-presidente da Câmara de Santarém, reconhece a diminuição da afluência ao certame e explica as mudanças previstas para a edição que decorre de 22 de Outubro a 1 de Novembro, na Casa do Campino. O autarca aponta um investimento municipal na ordem dos 250 mil euros, admite discutir a criação de um Museu da Gastronomia e anuncia contactos para devolver ao Festival uma dimensão internacional. A ambição de integrar a Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na área da gastronomia, é uma das metas que gostaria de ver concretizadas até à 50.ª edição.
O Festival Nacional de Gastronomia chega à sua 45.ª edição, depois de ter sido pioneiro na divulgação da cozinha regional portuguesa e de ter inspirado inúmeros certames pelo País. Quatro décadas e meia depois, o que distingue verdadeiramente o Festival de Santarém?
O Festival Nacional de Gastronomia celebra este ano 45 edições, que não representam apenas 45 anos de existência, mas também 45 anos de tradições, de identidade própria e daquilo que a gastronomia portuguesa tem de melhor.
Não podemos esquecer que somos o pai dos festivais de gastronomia em Portugal. Essa condição representa uma responsabilidade: preservar a identidade que distingue este evento e continuar a adaptá-lo às novas realidades.
Ao longo deste percurso, o Festival sofreu muitas alterações. Começou de uma determinada forma, foi evoluindo, modernizando-se e adaptando-se aos diferentes públicos. É precisamente esse caminho que pretendemos continuar a percorrer. Queremos acompanhar os novos públicos e o futuro da gastronomia, mas sem perder a nossa essência.
O Festival nasceu para reunir num único espaço restaurantes e tradições das várias regiões portuguesas. A aposta deste ano no espírito das antigas tabernas representa o reconhecimento de que era necessário recuperar parte dessa identidade original?
Cada vez mais sentimos que as pessoas valorizam aquilo que faz parte do nosso passado e das nossas tradições. Ao longo das últimas edições, temos percebido que existe uma procura por aquilo que o Festival era antigamente, pela possibilidade de revisitar as suas origens.
Há muitas pessoas que nos abordam e que acompanham o Festival praticamente desde o início. Através desse contacto percebemos a importância que determinadas experiências continuam a ter para o público.
Aquilo que pretendemos com esta edição é precisamente recuperar um pouco dessas origens e trazê-las para os dias de hoje. Queremos voltar a valorizar o petisco ao balcão, o petisco tradicional, com a particularidade de lhe darmos uma identidade ribatejana.
É esse o conceito da ‘Taberna da Casa’? E o novo prémio destinado aos petiscos também se insere nessa recuperação?
Exactamente. A ‘Taberna da Casa’ é um dos destaques desta edição e pretende recuperar esse ambiente de convívio à volta dos petiscos, que esteve associado à história do Festival.
Vamos também criar o prémio ‘Petisco Festival Nacional de Gastronomia’, desafiando os restaurantes participantes a apresentar os seus petiscos e a competir entre si de uma forma saudável. Queremos distinguir o melhor petisco do Festival e envolver chefs ligados à gastronomia local nesta iniciativa, mantendo presente a identidade de Santarém enquanto Capital Nacional da Gastronomia.
O importante é valorizar a criatividade dos restaurantes e, ao mesmo tempo, recuperar uma tradição profundamente ligada às origens do Festival.
Outra novidade é a Distinção Festival Nacional de Gastronomia, destinada a reconhecer quem ajudou a construir a história do certame. Quem será o primeiro homenageado?
Queremos distinguir pessoas ou entidades que, ao longo destes 45 anos, estiveram ligadas ao Festival Nacional de Gastronomia e contribuíram para o seu sucesso. São parceiros que acompanharam o Festival e fizeram parte da sua história.
A primeira pessoa distinguida será Dona Chica do Restaurante O Lampião – Évora, ligada ao certame há décadas. É uma forma de reconhecer quem acompanhou o Festival e contribuiu para a sua dinâmica ao longo dos anos.
A par do regresso às tradições, esta edição aposta numa presença reforçada de criadores de conteúdos gastronómicos. É uma estratégia para aproximar o Festival das gerações mais jovens?
Temos duas dimensões distintas que queremos trabalhar: as origens e os novos públicos. Por um lado, pretendemos recuperar aquilo que marcou a história do Festival, algo que será visível no próprio recinto, nomeadamente através da ‘Taberna da Casa’.
Por outro lado, sentimos a necessidade de atrair novos públicos e apresentar propostas que despertem a curiosidade das pessoas e as levem a visitar e a revisitar o Festival.
Foi nesse sentido que apostámos na presença diária dos chamados food influencers, os influenciadores gastronómicos do digital. Hoje, uma grande parte dos jovens procura receitas e sugestões culinárias através do telemóvel e das redes sociais. Para chegarmos a esse público, temos de acompanhar a forma como descobre a gastronomia.
Queremos trazer para o Festival experiências que habitualmente são acompanhadas através de um ecrã, dando às pessoas a oportunidade de assistir presencialmente à preparação dos pratos e de os provar.
Que convidados estarão presentes e como decorrerá a interacção com os visitantes?
Tia Cátia, Rita Camoesas, Roberto Fonseca “Roobsinlineskater”, Alexandra Vieira, Ana Sanchez, Rui Marques, conhecido como A Pitada do Pai, e Gastão Reis, do projecto Do It Gastro, estão entre os convidados desta edição. Também vamos contar com Pedro Jorge, vencedor do MasterChef Júnior. A presença de Pedro Jorge permite-nos também trabalhar uma vertente mais dirigida às crianças. Queremos que os mais novos tenham oportunidade de contactar de perto com a gastronomia.
O Chef Rodrigo Castelo, Embaixador do Festival, será um dos protagonistas desta edição, com um showcooking especial realizado em conjunto com um dos parceiros institucionais do Festival.
Estas actividades vão decorrer numa zona própria da Praça Carlos Abreu, onde os convidados poderão preparar as suas propostas, explicar o que estão a fazer e, no final, conversar com as pessoas interessadas. A intenção é proporcionar um contacto directo com o público.
A cozinha tradicional foi perdendo espaço para novas propostas e para a cozinha de autor, nem sempre com a mesma adesão do público. Num País onde proliferam eventos gastronómicos, o Festival de Santarém precisa
Mais do que um novo posicionamento, o Festival precisa de afirmar com clareza aquilo que sempre o distinguiu. As pessoas sabem que, quando vêm a Santarém, podem provar o país do Norte ao Sul e as ilhas num único espaço. Esse é o conceito de base do Festival e queremos mantê-lo.
A cozinha tradicional, a chamada comida de tacho, está na génese e na identidade do Festival. Não queremos, em momento algum, acabar com ela. Pelo contrário, queremos preservá-la. Mas o Festival deve ser um palco representativo de toda a gastronomia portuguesa, e isso inclui também a cozinha contemporânea e o fine dining. As duas podem conviver, desde que as raízes continuem a ser a base.
É evidente que temos de continuar a pensar o Festival para o futuro. Essa reflexão tem sido feita nos últimos anos e levou a várias alterações. Não queremos modernizá-lo ao ponto de o afastar das origens. Queremos adaptá-lo aos novos públicos e à evolução da gastronomia. Foi também por isso que reorganizámos o recinto, para que a visita seja mais intuitiva, acessível e agradável, e para que as pessoas saiam com vontade de regressar.
Como são seleccionados os restaurantes participantes? Continua a existir interesse em vir a Santarém e é possível recuperar uma representação mais alargada das regiões portuguesas?
Abrimos sempre inscrições para o Festival, em todas as áreas de participação. Existe interesse por parte dos restaurantes, até porque o Festival é um marco no panorama dos eventos gastronómicos do País. Para muitos, estar presente em Santarém tem muito significado.
Temos restaurantes que nos acompanham há muitos anos e que conquistaram um público fiel. Mas queremos também ir recuperando uma representação mais abrangente dos diferentes territórios.
Uma das dificuldades está na capacidade dos próprios restaurantes para participarem num evento desta dimensão. Não é uma operação simples: implica deslocar equipamentos, assegurar recursos humanos e montar uma estrutura de funcionamento durante vários dias. Nem todos dispõem das condições logísticas necessárias. Não se trata apenas do custo de participação, mas de toda a operação associada à deslocação e ao funcionamento fora do espaço habitual.
Este ano teremos duas novas representações, provenientes de Mértola e de Setúbal, acrescentando outras experiências à oferta do Festival.
Nas primeiras décadas, os almoços regionais mobilizavam centenas de visitantes. Esse modelo está ultrapassado ou admite recuperá-lo?
Não está, de todo, ultrapassado. Já lançámos esse desafio à equipa técnica e estamos a trabalhar nessa possibilidade para futuras edições.
Eu não tenho memória directa dessa fase, mas conheço os testemunhos de quem a acompanhou e o retorno que esses almoços tinham junto do público. Sei que era uma iniciativa que funcionava. É algo que queremos avaliar e procurar recuperar progressivamente.
O Festival é um evento nacional, mas queremos também que seja interessante para as pessoas de Santarém, para os escalabitanos. Queremos contar com a nossa população e dar-lhe motivos para visitar e regressar.
Qual é o investimento municipal previsto para a 45.ª edição e que retorno económico e promocional se espera obter?
O concurso público associado à organização representa cerca de 320 mil euros, a que se somam os contributos de vários parceiros.
O retorno vê-se de várias formas. A primeira é a notoriedade: durante onze dias, Santarém está nos jornais, nas rádios e na televisão. Em termos de mediatismo, podemos estar a falar de um retorno superior a um milhão de euros. Não é um valor que se meça directamente, mas a visibilidade que o Festival dá ao concelho é real e dificilmente se conseguiria de outra forma.
Depois, há o impacto na economia local. Durante o Festival, a hotelaria trabalha praticamente com ocupação plena e ganham também os restaurantes, o comércio e os serviços da cidade. Para os produtores e restaurantes que participam, estar em Santarém é uma montra nacional. Chegam a públicos que de outra forma não alcançariam e fazem contactos que se prolongam para lá do evento.
E há a dinâmica turística. Há pessoas que vêm a Santarém especificamente pelo Festival e que podem regressar mais tarde, ficar alojadas no concelho e frequentar os nossos restaurantes. Não conseguimos medir com exactidão quantas regressam por terem conhecido a cidade no Festival, mas sabemos que o turismo no concelho está a crescer: em 2024, Santarém registou mais de 119 mil dormidas, mais 30,6% do que em 2019. A gastronomia tem um papel importante nesse crescimento, e é esse efeito, para lá dos onze dias, que mais nos interessa.
A organização alargou os períodos de entrada gratuita, mantendo os bilhetes a 2,50 euros nos restantes horários. Esta decisão pretende contrariar uma diminuição da afluência nas últimas edições?
Temos sentido essa diminuição e é notória. Não podemos dizer o contrário. A afluência não corresponde, de facto, ao número de pessoas que queremos ter no Festival.
O objectivo do alargamento dos períodos gratuitos é que as pessoas possam vir e regressar durante os onze dias. Queremos trazer mais público, recuperar visitantes e atrair pessoas que ainda não frequentam o Festival.
Na segunda, terça e quarta-feira, a entrada será gratuita durante todo o dia. Às quintas e sextas-feiras, será gratuita até às 18h00; depois aplica-se o bilhete de 2,50 euros. Aos sábados e domingos, mantém-se esse preço a partir da abertura do recinto.
Também não aumentámos o valor do bilhete para que o custo de entrada não seja impeditivo. Queremos criar mais oportunidades para que as pessoas venham, experimentem propostas diferentes e voltem a visitar o Festival durante os onze dias do evento.
Poderá haver um preço de referência para os petiscos, permitindo provar especialidades de várias regiões sem pagar sempre uma refeição completa?
A ‘Taberna da Casa’ apresentará um valor médio por petisco de 8,00€. Mas os próprios restaurantes presentes no Festival também têm propostas de petisco, ao balcão ou à mesa, que permitem experimentar a gastronomia de uma região de forma mais económica.
Uma refeição completa tem naturalmente outro custo. Queremos que o visitante tenha opções e que não precise de fazer uma refeição completa sempre que pretende provar uma especialidade.
Temos de continuar a trabalhar na sensibilização quanto ao valor médio gasto por pessoa. Não é fácil, porque cada restaurante tem a sua estrutura de custos e nem todos conseguem sequer assegurar a logística necessária para participar. Procuramos adaptar o Festival à nossa população, sem esquecer a dimensão nacional que o caracteriza.
Santarém dispõe de património, vinhos e gastronomia, mas enfrenta o desafio de transformar visitantes de um dia em turistas que permaneçam mais tempo. Que contributo pode dar o Festival?
Temos sentido que há cada vez mais pessoas que procuram Santarém não apenas para passar uma noite, mas para usufruir de várias experiências gastronómicas. Há visitantes que chegam com um programa definido, escolhendo os restaurantes que pretendem conhecer.
Queremos que o Festival seja mais uma oferta integrada nessa experiência, que as pessoas venham a Santarém, permaneçam vários dias e conheçam propostas gastronómicas tanto no Festival como nos restaurantes do concelho.
Também queremos valorizar o enoturismo. Temos como parceiro e co-organizador a Associação de Municípios Portugueses do Vinho, que permite trazer ao Festival uma representação dos vinhos de diferentes regiões portuguesas.
Existe uma estratégia que está a ser trabalhada ao nível do turismo do concelho para reforçar a capacidade de atracção de visitantes. O Festival é mais um produto dessa oferta. Durante os onze dias, motivos não faltam para as pessoas virem cá, ficarem alojadas e desfrutarem de várias experiências gastronómicas.
A ‘Taberna da Casa’ representará os sabores ribatejanos. Há também a preocupação de encaminhar os visitantes para a restauração instalada no concelho?
A ‘Taberna da Casa’ vai funcionar com a Taberna do Quinzena, nosso parceiro nesta edição, que ficará responsável pela representação dos petiscos de Santarém e do Ribatejo.
Quanto aos restantes restaurantes presentes no Festival, a nossa opção é privilegiar a representação gastronómica de outras regiões do País, incluindo as ilhas. Queremos que quem venha à Casa do Campino possa provar especialidades de diferentes territórios portugueses.
Ao mesmo tempo, preferimos que os visitantes conheçam os restaurantes de Santarém nos seus próprios espaços, que se desloquem aos estabelecimentos do concelho e experimentem aquilo que têm para oferecer. O Festival deve também contribuir para essa dinâmica fora do recinto.
Com a nova configuração regional do Oeste e Vale do Tejo, existe a ambição de alargar a representação territorial do Festival aos 34 municípios?
Está efectivamente pensado e acreditamos que teremos condições para o conseguir numa próxima edição. Faz todo o sentido que o Festival Nacional de Gastronomia seja também um palco para os 34 municípios.
Este ano teremos a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo representada. Os onze municípios terão um dia dedicado ao longo da programação, para apresentarem os seus produtos e tradições.
Queremos alargar essa participação aos municípios do Médio Tejo e do Oeste, para que todos possam ter assento no Festival. É um caminho que pretendemos percorrer progressivamente e que ajudará a reforçar a ligação do evento aos territórios.
Aproxima-se a 50.ª edição. Já há projectos ou ideias que possam marcar esse aniversário e afirmar Santarém enquanto Capital Nacional da Gastronomia?
Uma das questões que estamos a trabalhar estrategicamente é recuperar a adesão do público. Mas queremos também mostrar a nossa capitalidade na gastronomia. E porque não conseguir um Museu da Gastronomia no nosso território?
É uma ideia que quero colocar na ordem do dia. Se nos assumimos como Capital Nacional da Gastronomia, porque não termos aqui um museu dedicado a uma identidade que é comum a todo o País?
Temos um espólio tremendo reunido ao longo destes 45 anos, com cardápios, louças, fotografias e mensagens. Esse património está à guarda da Câmara Municipal e constitui uma memória muito importante.
A Casa do Campino é o coração da gastronomia no nosso território. Conhecemos a história que tem e a sua ligação ao Festival. Temos condições para valorizar aquele espaço em termos gastronómicos, não apenas durante os dias do evento. É uma reflexão que faz sentido desenvolver.
O Festival chegou a receber representações internacionais. A organização pretende recuperar essa vertente?
Sim. Já estamos a trabalhar para recuperar a dimensão internacional do Festival numa próxima edição. Não vou adiantar ainda quais serão os países ou continentes representados, porque é um trabalho em curso.
Temos contactos com o Brasil, nomeadamente com Florianópolis. Estivemos recentemente num fórum internacional ligado ao património arquitectónico e tivemos oportunidade de contactar com o presidente da Câmara daquela cidade, que tem uma ligação histórica muito forte a Portugal, particularmente aos Açores, e também à gastronomia.
Desafiámo-lo a vir conhecer o nosso Festival este ano e deixámos o convite para que Florianópolis possa estar representada na 46.ª edição. É uma possibilidade que estamos a trabalhar e que pode assinalar o regresso de presenças internacionais.
Essa internacionalização poderá ter uma ambição mais ampla? Santarém pretende obter reconhecimento internacional na área da gastronomia?
Uma das ambições que temos é conseguirmos que Santarém seja uma Cidade Criativa da UNESCO na área da gastronomia.
É um objectivo em que estamos a trabalhar tecnicamente, para o futuro. Não é uma coisa que se consiga de um dia para o outro; é um trabalho progressivo, que terá de ser desenvolvido ao longo dos próximos anos.
Queremos chegar à 50.ª edição do Festival Nacional de Gastronomia e poder dizer que temos essa bandeira, a de sermos uma Cidade Criativa da UNESCO na gastronomia. É essa uma das ambições que queremos concretizar.
O recinto da Casa do Campino foi reorganizado para esta edição. O que vai mudar na circulação, no conforto e na acessibilidade?
Um dos desafios que coloquei à equipa técnica foi dar um salto na organização do Festival. Estamos a celebrar 45 edições e queríamos mostrar uma diferença visível a quem visita o recinto.
A acessibilidade esteve no centro dessa preocupação. Queremos que uma pessoa com mobilidade reduzida não tenha dificuldades na circulação e possa chegar aos diferentes espaços. É uma questão de inclusão que deve estar na base de qualquer evento.
Procurámos reorganizar as áreas de expositores, as representações regionais e nacionais, o artesanato, os vinhos e as zonas de demonstração gastronómica. Queremos um percurso mais intuitivo, com sinalética clara, uma imagem visual mais limpa e os espaços organizados de forma acessível.
No ano passado sentimos dificuldades com os diferentes níveis do recinto e com a localização de algumas estruturas. Este ano tentámos ultrapassá-las, colocando as áreas de visita ao mesmo nível. O palco também muda de localização, deixando a zona central.
Continuaremos a ter música — fado, flamenco, folclore, canto alentejano e outros estilos —, mas isto não é um festival de música. A animação complementa a experiência. A gastronomia tem de continuar a ser o elemento central.
A agricultura biológica e a sustentabilidade também entram na programação. Como poderá o Festival cruzar a gastronomia com a investigação e o projecto Campos Tejo?
É uma dimensão que queremos desenvolver. Há uma preocupação crescente com a alimentação saudável, com a agricultura biológica e com a forma como os alimentos são produzidos. O Festival deve acompanhar essa evolução.
Nesta edição vamos ter vários momentos de conversa sobre agricultura biológica e sustentável, com a participação de parceiros institucionais ligados a estas matérias. Estamos também a preparar um formato de podcast com testemunhos de pessoas ligadas ao Festival e a estes temas.
Esta aposta cruza-se com o trabalho que estamos a desenvolver no Campus Tejo, Science & Technology. É um ecossistema de ciência e inovação que o Município está a criar em Santarém, centrado na água, na agricultura e nas ciências da vida. A ideia é aproximar quem investiga, quem produz e as empresas, para encontrar respostas a problemas concretos ligados à alimentação, à saúde e à qualidade de vida.
A ligação ao Festival é natural. Queremos que o Festival possa ser um espaço onde se ouve quem está no terreno, cozinheiros, produtores e visitantes, e onde se percebe que questões merecem ser estudadas. Com o tempo, o Campus Tejo poderá trabalhar essas questões ao longo do ano e o Festival poderá mostrar esse trabalho ao público. É um caminho para os próximos anos, que queremos fazer passo a passo. FM/JPN


