A presente edição do certame arrancou ontem, 1 de Setembro na Casa do Campino, contando com grupos folclóricos de diversos países e várias actividades dedicadas às tradições ribatejanas.
Está a decorrer até este domingo, 6 de Setembro, em Santarém, a 65.ª edição do Festival Celestino Graça, um dos mais importantes encontros de cultura popular e tradicional realizados em Portugal.
O evento arrancou ontem, terça-feira, dia 1 de Setembro, com o tradicional jantar regional realizado na Casa do Campino e que recebeu os grupos folclóricos estrangeiros da presente edição. A cerimónia de inauguração oficial terá lugar hoje, dia 2 de Setembro, junto ao Busto de Celestino Graça, pelas 17h00.
O certame reúne a participação de vários grupos de folclore internacionais, provenientes do Brasil, Costa Rica, Espanha, Itália, Grécia e Lituânia, bem como uma programação vasta e diversificada que tem animado a Casa do Campino e as ruas da cidade ribatejana. É o caso da Gala Solidária “Entre Idades/Abraçar Gerações”, realizada hoje, dia 2 de Setembro e destinada aos utentes dos Centros de Dia, Lares de Idosos e dos ATL da região, a iniciativa “Animação Pela Cidade” e a Gala de Fado no Ribatejo, ambas realizadas no dia 3.
O festival incluiu também algumas sessões descentralizadas no distrito, nomeadamente a Gala Internacional de Folclore “Celestino Graça”, no IVV Multiusos de Almeirim, e a Gala Internacional de Folclore, em Abrantes.
Esta sexta-feira, 4 de Setembro, o festival inicia às 11h00, com ateliês de dança promovidos pelo CES Fonte Boa. Às 17h00 e às 18h00 a iniciativa “Sons Autóctones – Sons da Memória” contemplará uma aula teórica e uma oficina de bandolim, com o intuito de valorizar a memória sonora tradicional portuguesa. Pelas 21h00, decorrerá o Espectáculo de Canto e Música, promovido pela APPACDM. O dia encerra às 22h00, com a inauguração do 65.º Festival Internacional de Folclore “Celestino Graça”.
No sábado, dia 5, a animação matinal com os grupos folclóricos estrangeiros, no centro histórico de Santarém, e a VII Mostra de Fandangos do Ribatejo, no Largo do Seminário, dão o mote de partida ao evento. À tarde, os jogos tradicionais do Ribatejo serão dinamizados na Casa do Campino, enquanto às 21h00, será apresentado o projecto “Ribatejo em Pessoa – Identidade e Memória” que teve em vista a realização de entrevistas a pessoas naturais e residentes da região ribatejana. O dia encerra com a Gala Internacional de Folclore “O Mundo a Cantar e a Dançar”, às 22h00.
O último dia do festival, 6 de Setembro, conta com a habitual gastronomia ribatejana e uma mostra de instrumentos musicais tradicionais portugueses. Às 17h00, decorrerá a Gala de Encerramento do 65.º Festival Internacional de Folclore “Celestino Graça”. O certame encerra oficialmente às 19h30.
Organizada pelo Grupo Académico de Danças Ribatejanas de Santarém, a primeira edição do Festival Internacional de Folclore de Santarém, que desde 1995 ostenta o nome de Celestino Graça, decorreu em 1959, no âmbito da Feira do Ribatejo.
Desde então, ao longo de sessenta e quatro edições, já participaram no certame agrupamentos folclóricos de mais de cinquenta países, provenientes de todos os continentes.
Brasil – Mato Grosso – Cuiabá – Grupo de Siriri “Flor de Atalaia”
O Grupo de Dança de Siriri “Flor de Atalaia” foi fundado em 2 de Outubro de 2014 na Cidade de Cuiabá, no Estado do Mato Grosso, pela Psicóloga Cristina Zuita, sendo reconhecido como uma associação cultural que actua na preservação e divulgação do Siriri, Cururu e Rasqueado, fortalecendo a identidade regional do Culabano.
Com sede em Cuiabá, o Grupo “Flor de Atalaia” tem como principais objectivos a pesquisa, preservação e divulgação das danças e folguedos populares regionais, e desde a sua fundação o Grupo já realizou centenas de apresentações, fazendo uso dos seus respectivos trajes, adereços e músicas que garantem um variado repertório ao grupo, utilizando alguns instrumentos artesanais como Viola de Cocho, Mocho e Ganzá.
Em 2017, com o objectivo de ampliar as suas actividades, o Grupo “Flor de Atalaia” foi certificado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura e desenvolve desde então acções nas áreas da cultura, tradição, património, saúde, arte, desenvolvimento social e meio ambiente.
O Grupo “Flor de Atalaia” tem formado músicos, instrumentistas e dançarinos importantes no cenário regional e é actualmente um dos grupos mais prestigiados com digressões nacionais e internacionais.
Costa Rica – Guanacaste – Santa Cruz – Grupo de Danza y Proyección Folclórica “Flor de Caña”
O Grupo de Dança Folclórica e Performance “Flor de Caña”, de Santa Cruz, Guanacaste, foi fundado em 1 de Julho de 1971 por Marlene Contreras Mendoza, sua actual directora, e pela saudosa Florita Brenes Rosales. O objectivo era o de preservar e partilhar os elementos fundamentais de sua identidade cultural – um legado dos seus ancestrais indígenas e uma componente vital da sua cultura contemporânea.
O Grupo estrutura as suas actuações públicas em pesquisas que permitem compreender a sua trajectória como povo, num processo que tem permitido estudar e preservar costumes, crenças e tradições regionais, apresentando-os através de técnicas de dança que têm alcançado um alto nível de excelência artística, fundindo dança, teatro e música.
A sua actividade ininterrupta ao longo de 55 anos tem contribuído para a valorização da cultura folclórica costarriquenha, constituindo-se como referência e fonte de inspiração para muitos outros grupos artísticos em todo o país.
Grécia – Syros – Folklore Group “Aroma Paradosis- Syros”
“Aroma Paradosis” (Παραδοσιακό Εργαστήρι Σύρου “ΑΡΩΜΑ ΠΑΡΑΔΟΣΗΣ”) é um grupo cultural e de dança folclórica tradicional grega sediado na ilha de Syros, nas Cíclades, tendo sido fundado em 2015.
O Grupo, sob a direcção artística de Nikos Solaris, dedica-se a preservar e a apresentar tradições folclóricas gregas autênticas, danças regionais e música tradicional ao vivo, sendo um membro activo do CIOFF. Regularmente apresenta-se em eventos locais na ilha, encontros nacionais na Grécia e festivais internacionais de folclore um pouco por todo o mundo.
As suas actuações revestem-se de um estilo autêntico e dinâmico, interpretando danças que integram o património regional grego, acompanhadas por instrumentos musicais tradicionais. Para além da representação etnográfica e folclórica, o Grupo “Aroma Paradosis-Syros” participa em projectos culturais e educacionais europeus, nomeadamente através do Programa Erasmus+.
Itália – Sicília – Roccalumera – Gruppo “Canterini Della Riviera Jonica Melino Romolo”
O Gruppo “Canterini della Riviera Jonica Melino Romolo” – composto por cantores e bailarinos da costa jónica – foi fundado em 1965 por Melino Romolo e Sebastiano Totaro em Roccalumera, uma cidade da província de Messina situada à beira do Mar Jónico.
Um dos seus principais objectivos é a difusão da cultura siciliana, para o que realizou uma pesquisa minuciosa sobre canções e danças folclóricas populares, as quais são reproduzidas pelo grupo com a maior fidedignidade.
O repertório do “Canterini della Riviera Jonica” inclui canções de amor, canções de trabalho no campo e no mar, músicas de carnaval e canções de carreteiros, além da típica “tarantela siciliana” ou “la quadriglia”, entre tantas outras.
O Grupo pretende transmitir nas suas actuações a alma e o coração do povo siciliano de maneira simples e precisa, retratando as suas múltiplas facetas e os momentos mais significativos do ciclo da vida, utilizando trajos que remontam ao início do século XIX e interpretando as suas belas melodias com o acordeão, violão, bandolim, *friscalettu* (flauta), pandeiro, *marranzanu* (harpa de boca), *ciaramedda* (gaita de foles) e *quartara* (jarro).
Este conceituado Grupo regressa a Santarém depois de um inolvidável sucesso artístico e social em 2017. Muito Bem-vindos, Amigos!
Lituânia – Klaipėda – Folklore Ensemble “Kuršių ainiai”
O Grupo Folclórico “Kuršių ainiai”, do Centro Etnocultural do Município de Klaipėda, foi fundado em 1991 e, desde 2001, é dirigido por Jolita Vozgirdienė e Alvydas Vozgirdas.
Este Grupo foi distinguido com o Prémio Europeu de Promoção da Arte Popular, concedido pela Fundação Alfred Toepfer (Hamburgo, Alemanha), e foi reconhecido como o melhor grupo folclórico da Lituânia, tendo recebido o prémio “Pássaro de Ouro”.
O Grupo representa o folclore de várias regiões etnográficas da Lituânia, incluindo canções e danças tradicionais, bem como música instrumental, merecendo especial referência a preservação das tradições da Lituânia Menor, a região etnográfica onde o Grupo está sediado.
O repertório do “Kuršių ainiai” pode ser escutado em programas de televisão lituanos, trilhas sonoras de documentários e grandes concertos de folclore, tal é o seu prestígio, devendo referir-se que habitualmente utilizam harpas prussianas, cítaras lituanas, violinos, saltério de martelo, gaita de foles, contrabaixo folclórico, bandónion, harpas de boca, flautas de Pã lituanas, flautas de pastor, flauta diatónica, tambor e harmónica bocal.
O Grupo já se apresentou em cerca de uma vintena de países, porém, para nosso grande privilégio, esta é a sua primeira digressão em Portugal.
Portugal – Ribatejo – Santarém – Grupo Académico de Danças Ribatejanas
O Grupo Académico de Danças Ribatejanas, de Santarém, foi fundado em 1956 pelo saudoso etnógrafo Celestino Graça, com o propósito de recolher, estudar, preservar e divulgar o valioso património tradicional popular da antiga província do Ribatejo.
Ao longo da sua existência de setenta anos de ininterrupta actividade, o Grupo Académico de Danças Ribatejanas orgulha-se de haver representado a cidade de Santarém e o Ribatejo em quase todo o país e também no estrangeiro, onde já efectuou mais de sessenta digressões repartidas por vinte seis países.
No âmbito das comemorações das Bodas de Ouro, o Município de Santarém distinguiu o Grupo com a sua Medalha de Ouro.
O Grupo Académico de Danças Ribatejanas é sócio efectivo da Federação do Folclore Português, está inscrito na Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto e na Federação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto do Distrito de Santarém e na Fundação INATEL, sendo o organizador do Festival Celestino Graça – A Festa das Artes e das Tradições Populares do Mundo.
Portugal – Ribatejo – Santarém – Grupo Infantil de Dança Regional
O Grupo Infantil de Dança Regional foi igualmente fundado em 1956 pelo saudoso etnógrafo ribatejano Celestino Graça, com o propósito de promover a divulgação das tradições folclóricas desta bela região do nosso país, constituindo actualmente uma Secção do Grupo Académico de Danças Ribatejanas.
De então até aos nossos dias o Grupo Infantil tem participado em centenas de espectáculos por todo o país, em festas e romarias ou em importantes festivais de folclore, bem assim como, extravasando as fronteiras nacionais, já efectuou digressões por toda a Europa, Brasil e Angola.
Mantendo vivo o exemplo e o empenhamento do seu Fundador, este Grupo escalabitano continua a representar o folclore do Ribatejo que pretende defender e divulgar onde quer que lhe seja dada a oportunidade de representar a sua cidade e a sua região.
Portugal – Beira Litoral – Águeda – Grupo Folclórico de Crastovães
O Grupo Folclórico de Crastovães foi fundado em 1962. Começou por ser um grupo de Carnaval tendo os seus organizadores, posteriormente, iniciado um trabalho de recolha das danças, cantares e trajes que eram usados pelos seus antepassados nos finais do século XIX princípios do século XX que vão desde a serra do Caramulo até à Ria de Aveiro.
Nas danças predominam as modas de roda e os viras, nos trajes é de salientar os de Festa, Romaria, Dó, Domingueiro, Lavradores Ricos, Feirantes e Trabalho do Campo.
Tem participado em vários Festivais de Folclore Nacionais e Internacionais realizados de Norte a Sul de Portugal Continental e na Região Autónoma dos Açores, contando ainda com várias deslocações além-fronteiras, tais como Espanha, França, Alemanha, Suíça e Países Baixos.
É sócio efectivo da Federação do Folclore Português e está inserido na Região da Beira Litoral do Baixo Vouga. Tem vários discos gravados e um CD.
Portugal – Alta Estremadura – Pombal – Rancho Típico de Pombal
O Rancho Típico de Pombal foi fundado em 1951 e desde então divulga as danças, cantares, usos e costumes de uma região, toda ela enraizada, em termos etnográficos, na velha Alta Estremadura.
O Rancho Típico de Pombal tem percorrido o país de norte ao sul, do interior ao litoral, não esquecendo as ilhas e uma parte do continente europeu.
As danças que integram no seu reportório assentam em três características que são o Rodízio, o Rodopio e o Marcadinho, sendo o seu quadro etnográfico composto por trajes domingueiros e de trabalho e a tocata é composta por acordeões, violas, ferrinhos e reco-reco.
É seu lema honrar o nome de Pombal e corresponder ao que é imposto pelas raízes dos seus usos e costumes, danças e cantares. É sócio fundador da Federação do Folclore Português e da Associação Folclórica de Leiria – Alta Estremadura, tendo feito parte de todos os seus Órgãos Sociais.
Portugal – Alta Estremadura – Nazaré – Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré
O Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré, fundado em 25 de Julho de 1997, surgiu com o intuito de preservar a memória colectiva da Comunidade Nazarena.
Despertar memórias nos mais velhos, dar a conhecer o passado aos mais novos e preservar as tradições são os desígnios deste Grupo em todos os trabalhos que realiza. No ano em que completou 29 anos da sua fundação, pode, com propriedade, encetar uma viagem pelo que tem sido a história da sua vida etno-folclórica.
Pedra basilar da sua actividade, assenta no profundo trabalho de pesquisa do traje e da tradição oral, que permitiram realizar diversas exposições e desfiles do traje, colóquios sobre temática tradicional, o Mercado Tradicional como há 100 anos e já editou dois livros: “Nazaré, Tradição e História” e “Procissão do Mar”.
Por altura da Quadra Natalícia, o Grupo Etnográfico desenvolve um projecto dedicado aos “Presépios Tradicionais da Nazaré”, que tem vindo a ser reconhecido e apreciado tanto pela Comunidade Nazarena, como por todos quantos visitam a Nazaré.
No espírito do intercâmbio cultural, o Grupo Etnográfico organiza, anualmente, dois festivais de folclore, em Julho e Setembro, o primeiro em comemoração do seu ano / fundação e o outro integrado nas Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré. É sócio da Fundação Inatel e membro da Federação do Folclore Português.











