Em ano de grande significado para João Moura – assinala o 50.º aniversário da sua apresentação na Monumental da “Las Ventas”, em Madrid – a Real Maestranza de Sevilha terá constituído um dos momentos mais relevantes da presente temporada, com o cavaleiro de Monforte a actuar num festival fora de abono com que a empresa sevilhana o quis distinguir.
Num festival de luxo a favor da Hermandad de La Estrella y de Autismo Sevilla, César Rincón (ovação), Alejandro Talavante (duas orelhas), Roca Rey (orelha), Pablo Aguado (ovação) e Pepe Martínez (ovação), João Moura e seu filho João, a duo, (uma orelha) lograram esgotar o tauródromo sevilhano, coisa pouco vista em espectáculos fora de abono, e o resultado artístico, sem ser nada do outro mundo, foi muito agradável.
A crítica espanhola foi unânime na apreciação ao labor dos marialvas portugueses, destacando-se, entre outras, a crónica do Mundotoro, de que aqui respigamos um excerto:
“O toiro ‘Buitrón’, da ganadaria Benítez Cubero, abriu a tarde, mostrando-se colaborador e nobre. Os Moura, pai e filho, realizaram uma actuação clássica e muito fluída. Cravaram dois rojões de castigo e no tércio das bandarilhas deram uma verdadeira aula de toureio a cavalo. Moura pai manteve-se fiel ao seu estilo elegante de montar, cravando as bandarilhas no centro da reunião, enquanto Moura Júnior brilhou os ladeios, com o toiro colado à garupa do cavalo e desfrutando das suas emocionantes investidas. Encerraram a sua actuação com uma série de “palmitos”, no que demonstraram perfeita sintonia, levando o público a aplaudi-los de pé. Moura Júnior desferiu o rojão de morte na primeira tentativa, seguido de dois golpes de descabelho. Orelha.”
Enfim, João Moura será para todo o sempre um dos cavaleiros mais marcantes na actual expressão do toureio equestre, tanto numa perspectiva técnica como no plano artístico, influenciando, sobremaneira, as actuais figuras do toureio, pelo que homenagens com esta dimensão e significado fazem todo o sentido.
