Os municípios de Tomar e Vila Nova da Barquinha estão a preparar uma oferta de área empresarial conjunta superior a 100 hectares, articulando duas zonas industriais contíguas para atrair investimentos de maior dimensão, anunciou o presidente da Câmara de Tomar.
“Juntos podemos fazer aqui uma zona industrial de dimensões bastante significativas”, afirmou Tiago Carrão (PSD) na reunião do executivo municipal realizada na segunda-feira, 2 de novembro, sublinhando as vantagens de apresentar os dois territórios como uma única solução para investidores.
O autarca explicou que o projeto associa a futura área de atividades económicas da Asseiceira, no concelho de Tomar, à expansão prevista da zona industrial de Vila Nova da Barquinha, junto ao limite entre os municípios.
Segundo Tiago Carrão, as duas áreas deverão prolongar-se até à fronteira administrativa, permitindo configurar um espaço que ultrapassa “os 100 e qualquer coisa hectares” e que poderá oferecer condições mais competitivas do que cada zona considerada isoladamente.
“É algo que estamos já a trabalhar […] com a Câmara Municipal da Barquinha, a preparar-nos, no fundo, para nos apresentarmos como uma solução só”, disse, referindo contactos com o presidente da autarquia vizinha e o envolvimento das equipas técnicas de ambos os municípios.
A dimensão e a proximidade de acessos rodoviários e ferroviários poderão favorecer a captação de empresas, embora a estratégia de ocupação ainda esteja em definição.
Tiago Carrão apontou a aeronáutica e a defesa como setores com potencial de crescimento, associando essa expectativa ao investimento anunciado para o aeródromo de Tancos e à presença de infraestruturas militares na região, nomeadamente em Santa Margarida.
A articulação com Vila Nova da Barquinha integra uma estratégia municipal mais ampla para aumentar a disponibilidade de solo destinado a atividades económicas, que inclui também a criação de uma zona empresarial em Vale dos Ovos, na freguesia da Sabacheira.
O presidente da Câmara reconheceu que Tomar não dispõe atualmente de terrenos industriais em condições de responder a toda a procura, situação que, afirmou, já impediu a concretização de oportunidades de investimento no concelho.
Como exemplo, referiu o interesse manifestado há alguns meses por um grupo farmacêutico, para o qual o município não conseguiu encontrar um terreno com as características pretendidas.
Para avançar com a Asseiceira e Vale dos Ovos, a autarquia está a promover procedimentos de alteração do Plano Diretor Municipal (PDM) e de reclassificação de solos, procurando uma via mais célere do que a elaboração de planos de pormenor.
Tiago Carrão adiantou que pretende iniciar, durante 2027, a aquisição de terrenos para pelo menos uma dessas áreas, admitindo também soluções de parceria com os proprietários através de unidades de execução.
No caso de Vale dos Ovos, uma estimativa preliminar aponta para um investimento de pelo menos cinco milhões de euros, incluindo compra de terrenos, reforço de infraestruturas gerais e obras de urbanização necessárias à criação de lotes empresariais.
O autarca destacou, entre as intervenções necessárias, o reforço da rede de abastecimento de água na Sabacheira, considerado essencial para viabilizar a instalação de empresas.
As explicações foram dadas em resposta ao vereador Manuel Roque (PS), que questionou o executivo sobre a capacidade de atração de investimento, os prazos de disponibilização das novas áreas empresariais e as perspetivas para outras zonas identificadas no PDM.
Manuel Roque defendeu ainda a articulação entre oferta empresarial e habitação, enquanto Tiago Carrão reconheceu que a escassez de solo industrial está a prejudicar a competitividade do concelho.
