O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos e a União dos Sindicatos de Santarém promovem hoje um buzinão junto à ponte da Chamusca, para exigir o arranque do processo de construção de uma nova travessia sobre o rio Tejo.

Em declarações à Lusa, José Rui Raposo, do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), lembrou que a nova travessia do Tejo está prevista no projeto de ligação entre autoestrada 13 (A13), em Almeirim, e a autoestrada 23 (A23), em Vila Nova da Barquinha, sublinhando que a obra tem sido sucessivamente prometida por vários governos sem que exista qualquer concretização.

“Todos os que utilizam a ponte da Chamusca estão fartos de promessas, de planos e de anúncios. O que se quer é a execução da obra, porque esta situação não pode continuar”, afirmou.

Segundo o responsável, os atrasos frequentes na travessia da atual ponte afetam diariamente trabalhadores que se deslocam entre as duas margens do Tejo, quer em viatura própria, quer em transporte público, obrigando-os, por vezes, a permanecer mais de meia hora à espera para atravessar o rio.

“É preciso muita paciência para quem trabalha de um lado ou do outro da margem e perde ali muitos minutos todos os dias. É uma coisa perfeitamente inaceitável”, considerou.

José Rui Raposo salientou ainda os impactos negativos na atividade económica, nomeadamente no transporte de mercadorias e na deslocação de máquinas agrícolas entre margens, bem como os riscos acrescidos para a segurança, referindo que os meios de socorro veem frequentemente a marcha atrasada.

“Até os bombeiros e as ambulâncias são obrigados a atrasar o socorro às populações, porque não existe uma alternativa próxima para contornar o atravessamento do rio naquela zona”, apontou.

O responsável criticou também a falta de resposta do Governo aos pedidos de reunião apresentados pelo MUSP, afirmando que, apesar de o primeiro-ministro ter anunciado em 2025, em vésperas de eleições, o arranque do processo, já se está “a meio de 2026 e tudo continua na mesma”.

“Posteriormente, a Infraestruturas de Portugal disse que estava a preparar o plano para a nova travessia do Tejo e a ligação em itinerário complementar entre as duas autoestradas, mas nada saiu do papel e as pessoas continuam a sofrer as consequências desta realidade”, disse.

José Rui Raposo adiantou que também que, embora a responsabilidade da obra seja do Governo, foi solicitado um encontro com a Câmara Municipal da Chamusca, no distrito de Santarém, igualmente sem qualquer resposta até ao momento.

“A Câmara da Chamusca não é a principal responsável, mas esperamos dos autarcas da região uma posição mais forte e mais veemente junto do Governo, exigindo a concretização desta obra fundamental”, referiu, considerando que apesar de algumas tomadas de posição no seio da Comunidade Intermunicipal, podia haver uma pressão política suficientemente firme para desbloquear o processo.

Além da construção da nova ponte, José Rui Raposo destacou a necessidade do projeto de ligação entre a A13, em Almeirim, e a A23, em Vila Nova da Barquinha, que permitiria retirar “centenas largas de veículos pesados por dia” do interior das localidades de Almeirim, Alpiarça, Chamusca e Golegã, lembrando recentes perturbações agravadas por avarias de pesados no centro da vila da Chamusca.

“Hoje em dia não é admissível que camiões, incluindo com matérias perigosas, atravessem o interior destas localidades”, salientou.

Alargando a crítica à situação das acessibilidades no distrito de Santarém, o responsável defendeu que os sucessivos governos “não têm olhado para a região com a devida atenção”, apontando problemas semelhantes nas pontes centenárias de Muge e Constância.

“São infraestruturas que não estão adaptadas ao atual volume de tráfego nem à dimensão dos veículos e que exigem uma modernização urgente das acessibilidades entre o norte e o sul do Tejo”, acrescentou.

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