A Câmara de Coruche está a preparar, com o apoio de entidades externas, uma estratégia municipal de habitação que deverá abranger a vila e as freguesias, perante a pressão esperada com o novo aeroporto.

O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo, afirmou na última reunião do executivo que o município está a preparar uma estratégia para responder às necessidades de habitação e de disponibilidade de solos.

“Estamos a trabalhar neste processo também com entidades externas”, declarou, explicando que o trabalho em curso permitirá “definir e redefinir” as necessidades existentes no concelho.

O autarca considerou que a disponibilidade de solo será determinante, tanto para a construção de habitação como para a instalação de atividades económicas, num contexto “em que se antevê um aumento da procura no território”, devido à construção do novo aeroporto.

Segundo o presidente da Câmara, um estudo sobre os impactos da construção do novo aeroporto, apresentado numa reunião do Conselho Intermunicipal, aponta para uma maior pressão sobre os concelhos de Benavente, Salvaterra de Magos e Coruche, comparativamente com os municípios situados mais a norte ou no centro da Lezíria do Tejo.

O responsável adiantou que a estratégia municipal não ficará limitada à vila de Coruche, devendo abranger também as restantes freguesias, embora o impacto possa variar em função da maior ou menor proximidade ao futuro aeroporto.

“A ideia não é, obviamente, termos respostas exclusivamente em Coruche, mas nas outras freguesias também”, afirmou, acrescentando que a nova infraestrutura terá “consequências em todo o território municipal”.

O presidente da Câmara indicou ainda que o município pretende continuar a investir na habitação, incluindo soluções destinadas “a agregados com rendimentos que permitam o acesso a arrendamento acessível”.

Atualmente, a principal intervenção municipal nesta área envolve a reabilitação de 16 fogos, que o autarca classificou “como uma das maiores ações habitacionais realizadas no concelho”.

A explicação foi dada em resposta ao vereador do PSD Francisco Gaspar, que questionou o executivo sobre o número de habitações que pretende disponibilizar durante o mandato, a localização dos futuros investimentos e o calendário para infraestruturar urbanizações existentes nas freguesias.

O vereador do PSD considerou que o agravamento dos preços e a reduzida oferta tornam “urgente a definição de uma estratégia municipal”, afirmando não ser conhecido o investimento da autarquia na construção de nova habitação ao longo das últimas duas décadas.

O vereador mencionou ainda um edifício da Rua Júlio Maria de Sousa, cuja construção, segundo disse, se prolonga há mais de 15 anos.

Referiu igualmente um prédio situado na Travessa do Monteiro, cuja obra afirmou estar sem avançar, e urbanizações nas freguesias que permanecem sem as infraestruturas necessárias à construção.

“Quantos fogos se pretende disponibilizar neste mandato?”, questionou Francisco Gaspar na reunião camarária, defendendo que o executivo deve apresentar um plano, um calendário e “medidas com impacto significativo na população”.

Na resposta, o presidente da Câmara não avançou uma estimativa para o número de fogos a criar, nem prazos para a apresentação da estratégia, pedindo “mais algum tempo” para concluir o trabalho em curso e levar informação mais concreta ao executivo.

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