O Planos Film Fest, em Tomar, celebra dez anos de existência entre 24 e 29 de novembro, com 20 curtas-metragens em competição, uma homenagem à atriz Isabel Ruth e um ciclo dedicado ao realizador Paulo Rocha.
“Filmes de todos, para todos” é o lema do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Tomar, que pretende continuar a promover a diversidade cinematográfica e a aproximar realizadores e espectadores, numa edição que assinala uma década de atividade.
O certame decorre no Cine-Teatro Paraíso, em Tomar, e abre em 24 de novembro, às 21h00, com uma homenagem a Isabel Ruth, atriz natural de Tomar e uma das figuras de referência do Cinema Novo português.
A sessão inaugural inclui a exibição de “Os Verdes Anos” (1963), primeira longa-metragem de Paulo Rocha, protagonizada por Isabel Ruth e Rui Gomes, numa cópia digitalizada e restaurada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.
Considerado uma das obras fundadoras do Cinema Novo português, o filme acompanha a relação entre dois jovens na Lisboa dos anos 1960, retratando uma cidade em transformação, marcada por tensões sociais e expectativas de uma geração.
A homenagem prolonga-se num ciclo dedicado a Paulo Rocha e Isabel Ruth, que inclui também a projeção de “O Rio do Ouro” (1998), em 26 de novembro, igualmente numa versão restaurada pela Cinemateca Portuguesa.
Com uma carreira de mais de seis décadas, Isabel Ruth iniciou o percurso artístico na dança e tornou-se um dos rostos mais marcantes do cinema português, tendo trabalhado com realizadores como Paulo Rocha, Manoel de Oliveira e Pier Paolo Pasolini.
A organização considera que a homenagem assume um significado especial para Tomar, ao reconhecer uma personalidade nascida no concelho que alcançou projeção nacional e internacional, contribuindo para a história do cinema português.
Na competição internacional, a 10.ª edição reúne 20 curtas-metragens de diferentes géneros e cinematografias, incluindo produções de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Brasil, Irão, Austrália, Palestina e Estados Unidos.
Entre os filmes portugueses selecionados estão “A Vira-Páginas”, de Filipe Melo, “Antígona, ou a História de Sara Benoliel”, de Francisco Mira Godinho, “Babita”, de Bárbara Godinho, e “Couto”, de Flávio Ferreira.
A seleção nacional inclui ainda “A Hora do Chico!”, de Rafael Sá Carneiro e João Severo, e “Rui Carlos”, de Margarida Paias, a par de produções internacionais como “Candy Bar”, do australiano Nash Edgerton, e “Fin”, do realizador palestiniano Ward Kayyal.
A programação contempla também um concerto do guitarrista e compositor Tó Trips, marcado para 25 de novembro, às 21h30, com entrada gratuita mediante levantamento prévio de bilhete.
Com quase quatro décadas de carreira, o músico destacou-se pela combinação de influências do rock, blues e música tradicional portuguesa, tendo alcançado reconhecimento internacional com o projeto Dead Combo, que integrou com Pedro Gonçalves (1970-2021).
Criado em 2016, o Planos Film Fest surgiu com o objetivo de descentralizar a oferta cinematográfica, promover a curta-metragem e criar novos públicos, procurando estabelecer uma ligação entre a produção internacional e os espectadores fora dos principais centros culturais.
Segundo a organização, ao longo de uma década passaram pelo festival mais de 300 curtas-metragens provenientes de mais de 50 países, incluindo obras apresentadas anteriormente em importantes festivais internacionais e que tiveram em Tomar a sua estreia portuguesa.
A iniciativa procura afirmar a cidade como ponto de encontro entre diferentes cinematografias, conjugando a exibição de filmes com a valorização do património cinematográfico e a promoção da criação artística.
O festival assume ainda como objetivos a descentralização do circuito nacional de festivais, o incentivo à criação cinematográfica, a formação de públicos e a promoção do turismo cultural.
