Luís Santos, responsável pelo departamento de enologia e viticultura da Quinta do Casal Monteiro, foi agraciado com o troféu de ‘Enólogo do Ano’ na Gala dos Vinhos do Tejo 2021. Na cerimónia, o enólogo de 37 anos e natural da Bairrada, acredita que este prémio acarreta consigo “uma responsabilidade muito grande no início de uma carreira na enologia”, mas que é também o “reconhecimento por aquilo que estamos a fazer e mostra que estamos no bom caminho”. Luís tem um passado familiar ligado ao cultivo de vinhas, o que o levou com naturalidade a seguir um caminho de formação em Agronomia, finalizado com um estágio na região de Piemonte – Itália. Foi enólogo durante sete anos num dos grupos de maior prestígio em Portugal, a Dão Sul / Global Wines e é, desde 2015, responsável pelos departamentos de Enologia e Viticultura da Quinta do Casal Monteiro, Lda., acumulando funções de provador efectivo na Câmara de Provadores da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo. Em 2014 foi finalista dos Prémios W na categoria “Jovem Enólogo do Ano”.

Foi eleito recentemente enólogo do ano na Gala dos Vinhos do Tejo 2021. Disse que por ser muito novo, este prémio lhe traria uma responsabilidade acrescida. Porquê?
Normalmente um prémio desta natureza é um dos pontos altos na carreira de qualquer profissional, logo a tendência é aparecer mais próximo do culminar de longas carreiras, como reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Embora eu já exerça há mais de 10 anos, ainda me considero na fase de aprendizagem/evolução, sendo que a partir de agora vou ter certamente mais olhares para o meu trabalho e para os vinhos da Quinta do Casal Monteiro em particular, o que traz responsabilidade acrescida. Por outro lado, a atribuição deste prémio é a confirmação de que estamos no bom caminho e a trabalhar com qualidade.

Alguma vez nos últimos anos foi capaz de beber um vinho sem assumir a função de enólogo?
Seja um enólogo ou outro profissional qualquer, é muito importante saber distinguir quando acaba o lado profissional e começa o lado pessoal. Principalmente por uma questão de equilíbrio. É claro que, mesmo num ambiente mais pessoal e informal, avalio sempre os vinhos que bebo, nem que seja de forma inconsciente. No entanto, acho que quando estou fora do ambiente profissional, em família ou entre amigos, sou um simples consumidor como outro qualquer, que tenta tirar o máximo prazer do consumo de vinho em todas as suas variantes.

Onde está para si o prazer de beber vinho?
Nos pequenos prazeres da vida, na harmonização com comida/refeições, ou simplesmente na companhia de amigos.

Num tinto, por exemplo, quais são os aromas que fazem um vinho bom?
Mais do que nomear aromas, é a sua complexidade e as diferentes camadas aromáticas com as suas várias dimensões que distinguem os vinhos de excelência dos outros.

Consegue definir um perfil de vinhos que seja mais ao seu gosto?
Tenho tendência para preferir vinhos que privilegiam mais a estrutura, complexidade e volume de boca, aos muito exuberantes e uni-dimensionais.

Quais são as suas castas de eleição e porquê?
Neste momento valorizo muito a Fernão Pires pela capacidade de nos dar aquilo que nós precisamos enquanto enólogos, isto é, a sua plasticidade e capacidade de fazer os mais variados estilos de vinhos, desde espumantes a vinhos licorosos, passando como é óbvio pelos vinhos tranquilos.

Consegue fazer um vinho que não goste?
Todos os enólogos, como técnicos que são, têm de estar preparados para fazer o que o mercado exige.

O que é um vinho fácil?
É um vinho que abrange todas as camadas de consumidores. É um vinho comercial.

A região Tejo tem vinho de qualidade ou é mais uma região de quantidade?
A região do Tejo tem potencialidades naturais, nomeadamente ao nível do Terroir e know-how para se bater com os melhores, tanto em qualidade como quantidade.

Uma boa combinação vinho/música?
Bossa Nova com Quinta do Casal Monteiro Chardonnay-Arinto DOC do Tejo Branco 2020.

Uma boa combinação vinho/prato?
Sou adepto das harmonizações por concordância, assim prefiro comidas complexas com vinhos complexos. Pratos de carne de confecção elaborada, assados no forno com alguma gordura, combinam muito bem com vinhos igualmente complexos, como é o caso do Quinta do Casal Monteiro Grande Reserva Tinto DOC do Tejo 2018.

Qual é o seu lema de vida?
“99% transpiração, 1% inspiração”

Se pudesse alterar algum facto da História de Portugal qual alteraria?
Prefiro olhar para o futuro e deixar a história no lugar dela, embora seja importante conhecer o passado para não fazer os mesmos erros.

Um título para o livro da sua vida?
“Os dias que virão…”

Livro?
“O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry.

Viagem?
Qualquer sítio em Natureza e na companhia da família.

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