O encenador Frederico Corado estreia no sábado, no Cartaxo, a comédia “Pervertido Acidental”, interpretada pelo ator António Machado e que representa um novo ciclo de vida da associação cultural Área de Serviço.
“Pervertido Acidental” é um monólogo autobiográfico escrito pelo ator e comediante norte-americano Andrew Goffman, estreado em Nova Iorque em 2005, e que Frederico Corado traduziu e adaptou para palcos portugueses.
A peça estreia-se no Centro Cultural do Cartaxo, onde terá três sessões, e depois irá circular pelo país, cumprindo um dos objetivos da associação e produtora Área de Serviço, sediada naquela localidade, como contou Frederico Corado à agência Lusa.
A Área de Serviço nasceu em 2012 no Cartaxo com a intenção de fazer teatro com a comunidade, envolvendo atores não-profissionais e profissionais, tendo feito 35 espetáculos até 2020, altura em que abrandou a produção.
Depois de uma pausa, Frederico Corado decidiu “reformular o espírito” da associação, profissionalizar a estrutura, tentar financiamento pela Direção-Geral das Artes e preparar uma atividade mais regular que pudesse viajar pelo país.
Frederico Corado dá o exemplo de “Pervertido Acidental”, com o qual está a ser desenhado um calendário de atuações tanto nos grandes centros urbanos como em pequenas localidades, entre Porto, Lisboa, Almada, Lavre (Montemor-o-Novo) ou São Mamede de Infesta (Matosinhos).
“A ideia é muito descentralizar o teatro”, sublinhou.
“Pervertido Acidental” é “uma comédia profundamente humana sobre crescer, amar e desaprender muitas das ideias que temos sobre o amor e a intimidade”, como refere a sinopse.
A personagem deste monólogo é um homem que recua à adolescência, nos anos 1980, para lembrar memórias de família, paixões, desilusões e uma coleção de cassetes de vídeo escondida no armário do pai, com filmes pornográficos que o marcarão na vida adulta.
“Fui reler o texto e pensei que era um projeto que, apesar de ser um texto de 2005, era extremamente atual; o facto de termos todos um telefone no bolso que dá acesso a todo o conteúdo e muito dele pode ser pornográfico e à mão de semear de adolescentes e que é visto sem qualquer contexto”, explicou.
O encenador diz que tentou adaptar o texto “a Portugal e um bocadinho à realidade dos dias de hoje”, em que o acesso a pornografia está mais massificado.
“O espetáculo não é politicamente correto nem fiz autocensura [na tradução e adaptação]. Fiz uma forma de contar as mesmas coisas da maneira que eu acho que hoje devem ser contadas. Hoje há muitos públicos diferentes e há pessoas que se identificam e falam de várias formas”, sustentou.
Além de “Pervertido Acidental”, a Área de Serviço está a preparar dois outros espetáculos, ambos com estreia no Cartaxo: “A pior mãe do mundo”, um monólogo da britânica Anna Morris, e “Gordas”, do espanhol Carlos Mesa.
“Quero fazer espetáculos positivos, que tragam uma mensagem positiva às pessoas e que façam pensar um bocadinho em algumas coisas, mas que não sejam muito deprimentes. Há sempre uma ponta de comédia nos espetáculos que quero fazer, mas são espetáculos com notas positivas”, descreveu Frederico Corado.
A Área de Serviço quer focar-se em espetáculos “que consigam circular pelo país e que tenham um público à sua espera; ir a várias salas diferentes, mais pequenas onde os espetáculos não costumam ir”.
