Rui Duarte Coelho apresentou esta sexta-feira, 2 de Outubro, às 18h30, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém, o seu segundo livro de contos, “O Alpendre das Cigarras”.
A obra foi prefaciada e apresentada por Ludgero Mendes, numa sessão que contou com as presenças de Ana Arrais, em representação da União de Freguesias da Cidade de Santarém, e de muitos amigos e colegas que ouviram Ludgero Mendes dizer ter sido escrita por um “escritor com futuro, inteligente e culto”.
“O Rui é um autor que assume compromisso com os seus leitores. Tem posicionamentos face à vida, ao mundo, é um humanista convicto, e esse compromisso está presente em todos os contos”, considerou.
Considerando-o um “escritor de causas”, notou que Rui Coelho “não escreve para encher páginas brancas, mas sim para transmitir ideias, para defender convicções e para sensibilizar quem o lê, porque quem ler estes contos não consegue ficar insensível às mensagens que são transmitidas,” revela Ludgero Mendes.
“Aquilo que o autor nos mostra no seu livro é uma forma singela de construir personagens às quais empresta um pouco do seu próprio sentimento. Não diria que é uma obra autobiográfica. Os personagens dos contos são heterónimos na obra do próprio Rui, porque são personagens importantíssimas na narrativa”, observou.
Visivelmente emocionado, coube a Rui Duarte Coelho as últimas palavras na sessão, tendo começado por explicar que foi a pandemia que o levou a iniciar a carreira de escritor.
“Quando chegou a pandemia fomos quase impedidos de comunicar, só tinha uma hipótese para manter a minha sanidade mental que foi escrever”, declarou, explicando a todos os presentes na sessão o que pretende da sua escrita: “que seja simples, mas impactante, com mensagens fortes, mas que as pessoas possam perceber o que penso”, afirmou.
O livro “O Alpendre das Cigarras” reúne histórias marcadas pela memória, a sensibilidade e o valor das experiências humanas.
“Vivemos num tempo em que as histórias surgem a toda a hora. Ainda não sabemos totalmente o alcance histórico do que vivemos, mas sinto que estamos no olho do furacão”, referiu Rui Duarte ao Correio do Ribatejo numa entrevista que publicamos na edição desta sexta-feira.
O autor afasta a ideia de a obra ser uma autobiografia: “Limitei-me a colocar-me na pele de outras pessoas, a misturar elementos ficcionais e a criar novas realidades a partir deles”, explicou ao Correio do Ribatejo.
O livro inclui o conto “O Alpendre de Saramago”, inspirado num encontro de três minutos que o autor teve com o Nobel da Literatura e com Pilar del Rio, na Azinhaga, Golegã, há quase 30 anos, e que ficou guardado na sua memória.
Segundo Rui Duarte Coelho, o livro estava escrito há três anos e foi sendo reescrito até ganhar vida própria. Reúne histórias do quotidiano, marcadas pela solidariedade, simplicidade, amizade e respeito, e que procuram dar voz a vidas que ultrapassam o anonimato.
Rui Duarte Coelho assume-se como escritor de intervenção e de leitura simples e envolvente. Afirma que a relação entre realidade e ficção é como a de um funâmbulo na corda, mas rejeita a ideia de autobiografia: “Limitei-me a colocar-me na pele de outras pessoas”.
Sobre o futuro, o autor adianta já novos projectos: um novo livro de contos, uma obra em dois tomos, intitulada “Do Atlântico ao Adriático” e um livro com as crónicas publicadas no Correio do Ribatejo, jornal que o entrevista na edição desta sexta-feira.
Chegou a estar prevista a presença de Pilar del Rio na sessão de hoje, mas tal não foi possível por motivos de agenda de última hora da jornalista que, ainda assim, enviou uma mensagem gravada em vídeo, elogiando o escritor e a sua obra.
A sessão abriu e encerrou com dois momentos de fado que se fizeram ouvir pela voz de Carlos Mendes Pereira, acompanhado por Edmundo Albergaria na guitarra portuguesa e Gilberto Silva na viola de fado.


