Como sempre acontece há mais de quinze anos, as festividades do S. João levam-me à ilha Terceira, nos Açores.
É já uma ligação de muitos anos, que faço com gosto, porque ao longo do tempo, criei relações de amizade com muita gente naquela ilha que, como todos sabem, tem igualmente uma ligação estreita com os toiros bravos.
A rádio local, Rádio Club de Angra, mantém desde sempre um contacto muito importante com toda a população, agora também muito aumentada com o uso da internet, o que permite a chegada das suas emissões à América e ao Canadá, onde estão muitos milhares de açorianos, entre os quais terceirenses, que assim alimentam um cordão umbilical permanente com as suas origens.
As festas das Sanjoaninas celebram-se aqui, com uma semana, em honra e homenagem a S. João, onde um extenso programa de actividades convoca não só os quase cinquenta mil habitantes desta ilha, mas também muitos que fazem as suas vidas em outras paragens e aqui vêm matar saudades da sua ilha nunca esquecida.
Do programa consta também a Feira Taurina das Sanjoaninas, com a realização de três ou quatro corridas (dependentes do calendário de cada ano), que inclui a presença de cavaleiros locais e do continente, mas também matadores de toiros espanhóis ou portugueses, para além de grupos de forcados locais, com dois bons grupos, mas também outros que vêm regularmente do continente, ou da califórnia. Os toiros são oriundos de ganadarias locais e devido ao empenhamento dos seus proprietários, mantém actualmente elevadas características de qualidade em apresentação e bravura.
A praça regista, quase sempre, lotações esgotadas, ou perto disso, sinal do muito interesse que esta feira desperta nos aficionados.
O Rádio Club de Angra, faz a transmissão directa destes espectáculos, com elevados níveis de audiência, nas ilhas e na diáspora. É para colaborar nestas reportagens que me desloco à cidade de Angra do Heroísmo, integrando gostosamente esta equipa, de bons amigos e companheiros.
Para além destes espectáculos, realizados na Praça de Angra de Heroísmo, sempre bem arranjada e cuidada pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, que se encarrega desta organização, teremos de destacar igualmente o apoio que a Câmara Municipal da cidade dá à realização destas corridas, porque elas são também arte, cultura e tradição de uma população, que se mantêm desde sempre e que cruza gerações.
Basta referir que as Touradas à Corda, manifestação de tauromaquia popular que tem forte implantação nesta ilha tem uma componente bastante forte na economia local.
Mais de duas centenas destas corridas à corda se realizam anualmente por aqui, o que significa bem a importância destes acontecimentos no tecido económico local.
Os toiros nas ruas, são um verdadeiro momento de festa e os locais recebem em suas casas, com o maior prazer, os forasteiros. Toda a gente fala do quinto toiro, o que significa, comida e bebida para todos, celebrando a festa local e a alegria de viver.
O acolhimento dos locais é tão genuíno e intenso, que a saudade, essa sensação tão lusitana, se apodera de quem parte, mesmo quando ainda espera no aeroporto a chegada do avião que o trará de volta a casa.
Definitivamente, o toiro, esse animal único e misterioso que encerra na sua génese o enigma da bravura, une ribatejanos e terceirenses num gosto comum, que se revela quando nos dizem: – Amigo, boa viagem e até à próxima.
– Pois assim será, se Deus quiser!!!
