Vila Nova da Barquinha assinalou hoje 190 anos da criação do concelho, com o presidente da câmara a apontar o desenvolvimento económico, a habitação e a proteção civil como desafios para o futuro.
“Nós temos sentido uma forte procura na zona industrial. Eu diria que Tancos veio ampliar ainda mais a situação e veio criar uma pressão maior. Mas ela já existia”, afirmou Manuel Mourato aos jornalistas, referindo-se às expectativas geradas pelo investimento anunciado pela Lufthansa no aeródromo de Tancos.
O autarca falava à margem das comemorações do Dia do Concelho de Vila Nova da Barquinha que incluíram uma cerimónia institucional e a entrega de novos meios aos bombeiros.
O investimento da Lufthansa em Tancos, associado ao processo de privatização parcial da TAP, prevê uma escola de pilotos e a adaptação da infraestrutura para utilização civil, reforçando as expectativas de atração de empresas à região.
Mourato disse que a procura de terrenos industriais antecede o anúncio, revelando existirem cerca de 20 empresários interessados em adquirir lotes no concelho.
“O nosso parque empresarial está lotado”, afirmou, acrescentando que há interessados em terrenos de cinco a dez hectares ou mesmo na totalidade da área disponível para expansão.
A autarquia dispõe de terrenos confinantes com a zona industrial e prepara novas infraestruturas, numa estratégia articulada com Tomar para criar uma oferta empresarial conjunta superior a 100 hectares.
O projeto, anunciado esta semana pelo autarca de Tomar, Tiago Carrão, liga a futura área empresarial da Asseiceira à expansão industrial da Barquinha.
Manuel Mourato apontou a localização do concelho, os acessos ferroviários e rodoviários e a possibilidade de utilização civil do aeródromo como fatores de atratividade.
O autarca defendeu, contudo, que o crescimento empresarial tem de ser acompanhado por habitação e equipamentos públicos, sem comprometer a qualidade de vida.
A câmara já dispõe de um plano de desenvolvimento para a zona do Vale da Loura, freguesia de Atalaia, onde pretende criar uma urbanização com infraestruturas municipais, estando também a estudar a instalação de uma escola.
“Um concelho com o crescimento que Vila Nova da Barquinha tem (…) necessita de crescer, não só em parque habitacional, mas também em infraestruturas”, afirmou.
No discurso comemorativo, o presidente apontou como prioridades a concretização da escola e do Centro de Saúde, novas áreas empresariais e a continuidade da estratégia de habitação.
No balanço do primeiro ano de mandato, destacou a redução do IMI para a taxa mínima, a reabertura das extensões de saúde das Limeiras e da Praia do Ribatejo, incentivos à fixação de médicos e projetos de habitação.
Recordou ainda a tempestade Kristin e as cheias, que exigiram uma resposta de emergência e deixaram infraestruturas por recuperar.
“Foram 15 dias ou três semanas de autêntico sufoco”, disse, sustentando que a prioridade foi proteger as populações e que a resiliência do concelho terá de ser reforçada.
As comemorações incluíram a entrega de uma Viatura de Apoio às Operações (VAOP) e de 70 equipamentos de proteção individual aos Bombeiros Voluntários, estes últimos num investimento superior a 80 mil euros.
A viatura, cedida pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, com cofinanciamento comunitário e comparticipação municipal, destina-se a operações de proteção civil e está preparada para o combate a incêndios rurais.
“Quem nos protege na emergência merece ser equipado antes dela”, afirmou Mourato, evocando o papel dos bombeiros durante a tempestade e as cheias.
O concelho foi criado em 6 de novembro de 1836, por decreto de D. Maria II.
Os festejos terminam hoje, às 21h30, no Centro Cultural, com um concerto de homenagem a Jorge Palma por artistas do concelho.
